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Um capitão que quer dar cartas no mundo da música

Um capitão que quer dar cartas no mundo da música

Capitão do quartel de Engenharia de Tancos lançou em Dezembro “No Silêncio dos Teus Olhos”, um álbum de pop rock com dez temas originais.

Edição de 29.02.2012 | Cultura e Lazer
Elsa Ribeiro GonçalvesMiguel Maat é um oficial do Exército de 33 anos, capitão na Escola Prática de Engenharia de Tancos, que acalenta a ambição de brilhar no mundo da música. Maat, palavra egípcia que significa justiça/verdade, foi a que escolheu para o seu apelido artístico por considerar que era sonante. O apelido pelo qual é tratado dentro da base militar prefere não revelar porque são contas de outro rosário. “Ser militar é vocação… a música é uma paixão”, acentua Miguel Maat que está actualmente a tirar o curso de promoção a oficial superior, em Algés. O primeiro grande passo de Miguel Maat foi dado no dia 11 de Dezembro de 2011, altura em que lançou ao vivo o seu primeiro álbum de pop rock “No silêncio dos teus olhos”, no Auditório Carlos Paredes, em Lisboa. Ao todo são dez temas de originais, sete dos quais com letras da sua esposa, Ana Sírius, onde a sonoridade é o rock com algumas nuances de funky e pop. As letras falam de libertação, da noite, da exaltação da natureza e do amor. “No silêncio dos teus olhos expressa o olhar como espelho de alma, onde estão marcadas todas as nossas ambições… Tudo o que já fizemos está marcado na nossa íris”, conta num dia de sol, a poucos metros do Parque do Bonito, no Entroncamento, cidade onde reside. A guitarra veio atrás para compor a entrevista na sua fase final. Miguel Maat deu os primeiros toques na guitarra com apenas 12 anos, quando era aluno do Colégio Militar, instituição que frequentou até ao 12.º ano. Antes, a mãe, que chegou a ser freira, já lhe tinha ensinado a tocar órgão. Foi ali que integrou uma banda de rock que tocava essencialmente em bailes de finalistas ou juntas de freguesia. Depois foi para a Academia Militar onde, no 2.º ano, passou a integrar novamente a banda de rock. As suas referências musicais são diversas, passam por Greenday, James Blunt e John Butler e, a nível nacional, Entre Aspas e João Pedro Pais. “Queria que a minha sonoridade fosse diferente de tudo o que já conhecemos”, refere. Depois de tirar o curso, que teve uma duração de sete anos e meio, foi colocado na Escola Prática de Engenharia em Tancos e separou-se da banda. Foi aí que o oficial do Exército decidiu começar a actuar sozinho, tocando e cantando em bares, com o recurso a caixas de ritmo. “Ao mesmo tempo consegui aliciar um amigo, Hugo Cruz, e começamos a actuar em festas privadas, de casamentos, de empresas, actividade que mantenho ainda com a banda Impressão Tua”, conta Miguel Maat. Saber separar as águasComo é que consegue conciliar a vida militar com a veia artística? “A verdade é que sempre tive apoio no meio militar. Sei que não há muitos militares a fazer projectos destes, em part-time, mas nunca houve restrições. Na Academia Militar até achavam interessante e eu era, muitas vezes, chamado para animar as festas internas”, conta, salientando que a música nunca pode afectar a sua actividade principal que é ser militar. “O contrário é que já aconteceu”, aponta. Quando começou a actuar sozinho em bares ainda foi avisado pelos seus superiores hierárquicos que iria ser difícil impor respeito mas refere que nunca teve problemas de afirmação. “Há que distinguir as águas. Desde que tenhamos uma atitude pró activa e não deixarmos escalar as situações para situações de violência não há problemas. Sei que o que faço é bom pelo que nunca houve problemas a esse nível”, refere. Em 2010 Miguel Maat começou a desenhar o sonho de fazer um álbum de originais e apresentá-lo ao grande público. “A minha mulher começou a ter aulas de bateria com o Tiago Ramos, um baterista da Golegã que, por sua vez, me apresentou a João Madeira, um teclista produtor da zona de Santarém, que ficou agradado com a sonoridade do trabalho e avançamos com o projecto”, refere. As gravações viriam, no entanto, a ser interrompidas a meio do ano porque teve que integrar uma missão no Líbano. Foi nesse país que, graças ao Skipe (programa informático), foi gravando os solos de guitarra e de saxofone, que não tinham ficado definidos.Quando regressou optou por substituir uma das músicas por um tema que compôs no Líbano, “No teu peito”, pelo que o álbum só ficou completamente pronto a meio de 2011. Falou com a sua actual agente, a actriz Sílvia Balhancho, que abraçou o projecto, estando actualmente a trabalhar no marketing e divulgação. “Sei que no nosso país é difícil viver só da música. Daí não fazer intenções de deixar a instituição militar mas gostava de apresentar a minha música a Portugal e até além-fronteiras”, atesta. Um percurso militar lado a lado com a músicaMiguel Maat (nome artístico) nasceu em Lisboa mas com quatro anos foi morar para o Cartaxo. A sua iniciação no mundo da música começou em 1988 no Colégio Militar, tendo integrado o Orfeão durante 8 anos. Em 1992, já tocando guitarra, foi convidado para a Banda Colegial, que interpretava “covers”, actividade que manteve até concluir o 12º ano. Em 1996 entrou para a Academia Militar onde abraçou a carreira das armas. Dois anos mais tarde foi convidado a pertencer à Banda da Academia Militar. Nesse mesmo ano, juntou-se a um projecto musical da Escola Superior de Polícia, actual Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna. Após sair da academia, manteve-se na música, actuando em bares e festas privadas com o Conjunto Musical “Impressão Tua”, a par de Hugo Cruz. O seu primeiro álbum a solo intitulado “No Silêncio dos teus olhos” teve a contribuição de outros músicos como Nani Teixeira, Gonçalo Pereira e João Madeira. Adepto das terapias naturais, vive no Entroncamento, é casado e tem dois filhos. Tem um site www.miguelmaat.net.
Um capitão que quer dar cartas no mundo da música

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