BE diz que aumentos da água superiores a 50% se destinam a tornar apetecível a privatização
Taxas de disponibilidade, saneamento e resíduos sólidos deixam de ser subsidiadas
Os consumidores estão a receber as primeiras facturas com os aumentos. O orçamento municipal já inclui os 3 milhões de euros que serão recebidos pela concessão da distribuição.
A Comissão Coordenadora do Bloco de Esquerda do Entroncamento acusa a maioria PSD que governa o município de ter aumentado a factura da água para a maioria dos consumidores em mais de 50 por cento, com o objectivo de tornar apetecível a venda da concessão do serviço de distribuição da água directamente ao consumidor.Segundo o Bloco de Esquerda, no orçamento municipal já foram inscritos os três milhões de euros que se calcula irá render a privatização da distribuição da água em baixa. “A maioria PSD na câmara conta com estes três milhões de euros para tapar os buracos financeiros criados pelos cortes dos financiamentos às autarquias decididos pelo Governo PSD/CDP. E para compensar a quebra das receitas municipais provocada pela crise que o próprio governo PSD/CDS agrava todos os dias”, diz o BE.O comunicado daquela força política está a ser colocado nas caixas do correio dos moradores na mesma altura em que estes estão a receber as primeiras facturas que já reflectem o aumento da água e das taxas relativas a outros serviços.“Em cada 5 consumidores, os 4 mais pequenos sofrem aumentos superiores a 50%. Os actuais aumentos incidem sobretudo na chamada taxa de disponibilidade, no saneamento e na recolha de resíduos sólidos. Se somarmos estes aumentos aos 30% que a água já aumentara de 2008 para cá, daí resulta um pesadíssimo esforço para as famílias”, pode ler-se.O BE lembra que já há 800 desempregados no concelho e que apesar de, em alguns casos extremos, os consumidores poderem beneficiar de tarifas sociais, “a larga maioria das famílias com rendimentos modestos e incertos é agora muito penalizada pelo agravamento destas tarifas”. Em Dezembro, durante a discussão dos aumentos, que apenas foram aprovados pelos eleitos do PSD, o presidente da câmara, Jaime Ramos (PSD) chamou a atenção para o facto de, pela primeira vez, o município estar a cumprir a lei nº 169/99 que obriga a receita local da venda da água, do saneamento e da recolha dos resíduos sólidos a cobrir a totalidade dos respectivos custos. O BE lembra que a lei está em vigor há doze anos e acusa a câmara de só ter decidido passar a cumpri-la agora “porque quer privatizar a distribuição da água em baixa, directamente ao consumidor (a concessão em alta foi entregue há algum tempo à empresa “Águas do Centro”.
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