
Ribatejo foi a Lisboa dizer não à extinção de freguesias
Mais de três mil pessoas em representação de freguesias da região integraram manifestação nacional contra a proposta de reforma administrativa territorial autárquica.
Foi com alegria, palavras de ordem, mas sobretudo com diversas mensagens em tarjas e papéis que se fez a participação do distrito de Santarém na manifestação nacional de sábado, em Lisboa, contra a proposta de agregação ou extinção de freguesias prevista na reforma administrativa territorial autárquica proposta pelo Governo. Algumas representações apostaram na etnografia. Pernes marcou a diferença nesse aspecto com a presidente da junta, Salomé Vieira, a encabeçar o grupo de estandarte na mão, acompanhada por uma série de mulheres com trajes típicos, com o vermelho e branco a sobressair. À sua frente, a mensagem segurada por Vicente Batalha e outros pernenses dizia: “Pernes presente, somos terra, somos gente, Respeitem-nos!”.Freguesias como a do Couço, com mulheres envergando trajes tradicionais, ou as de Santa Maria, Santiago e S. Pedro, em Torres Novas, apostaram também no folclore e na figura do campino para se darem a conhecer aos muitos curiosos que foram espreitando entre a avenida da Liberdade e o Rossio. Do distrito de Santarém chegou à capital uma invasão de mais de três mil pessoas e cerca de 100 freguesias. Antes da partida, concentrados na rua Joaquim António de Aguiar, que desemboca no Marquês de Pombal, os ribatejanos foram-se organizando sob a batuta do presidente da Junta de Asseiceira (Rio Maior), Augusto Figueiredo, de estandarte a servir de capa e boné na cabeça. “No Ribatejo Freguesias Sim!” e “Deixem as freguesias que elas não fizeram mal a ninguém” foram as mensagens inscritas em tarjas na dianteira do desfile do distrito de Santarém, encabeçada por autarcas de Assentiz, Gançaria, Marmeleira, Asseiceira e Malaqueijo. O autarca de Malaqueijo, António Correia, diziam muitos, em jeito de provocação, tem parecenças com o ministro Miguel Relvas. “Não estou com medo. A diferença é que eu defendo as freguesias, ele não”, garantia o autarca a O MIRANTE.Houve tarjas, cartazes, mensagens em papel, bandeirinhas. Só faltaram os megafones, os bombos e bandas filarmónicas que outras freguesias do país levaram à manifestação. A desmobilização aconteceu por volta das 17h30 e os cafés e pastelarias do Rossio fizeram negócio como em poucas ocasiões. Estava dado o grito de força de três mil ribatejanos, entre os 200 mil fregueses que a organização reclama ter levado à capital.“Povo demonstrou que não está a dormir”Em jeito de balanço, Augusto Figueiredo mostrava emoção como cidadão porque “afinal o povo não está a dormir quando sente a sua integridade territorial e histórica posta em causa”. Reclama terem estado presentes 42 autocarros, mais de duas dezenas de carrinhas de nove lugares e pessoas que vieram no seu próprio carro de cerca de 100 freguesias do distrito. “Provavelmente é a primeira vez que 80 por cento destas pessoas participa numa manifestação. Esta proposta não presta, o método começou de cima para baixo, sem ouvir população e autarcas eleitos. É preciso saber que competências, que lei de finanças locais e com que critérios é que a lei vai ser implementada”, sublinha o autarca.

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