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Isabel Maria Correia

Isabel Maria Correia

58 anos, professora, Aveiras de Cima (Azambuja)

Muitos, pouco tempo depois de começarem a dar aulas, começam logo a dizer que estão fartos da profissão. É muito negativo para um aluno ver um professor a entrar na sala de aula e agir como se tivesse a fazer um frete. O professor tem que dar o exemplo.

Edição de 18.04.2012 | Agora falo eu
Está desiludida com a política?Estou desiludida com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Não esperava que ele tomasse as medidas de austeridade que tomou. É uma verdade que ele não tinha outra hipótese, porque encontrou o país num estado complicado. Mas podia ter sido menos exigente, as pessoas não aguentam medidas tão drásticas e tão repentinas.A crise é uma oportunidade para haver mais contenção no consumismo desenfreado?A crise económica fez-me mudar de hábitos. Há muitas coisas supérfluas que deixei de comprar. Só não posso reduzir ao nível da alimentação porque estou a sustentar oito pessoas, sou divorciada e perdi a minha casa por causa do divórcio. Por isso vivo com os meus pais, os meus filhos e a minha nora. Portanto tenho que ser muito racional com os gastos. Os professores deviam ter a autoridade que tinham antigamente e castigar os alunos com reguadas?Não e oxalá isso não venha a acontecer. O professor do século XXI tem tarefas diferentes dos nossos antepassados. O que se fazia antigamente era um exagero. Sou professora há 38 anos, nunca tive problemas com os alunos e ainda hoje gosto do que faço. Só me reformo se me obrigarem a isso. Cada vez gosto mais da minha profissão. Fico mais triste é que isso não aconteça com muitos dos novos colegas. Muitos, pouco tempo depois de começarem a dar aulas, começam logo a dizer que estão fartos da profissão. É muito negativo para um aluno ver um professor a entrar na sala de aula e agir como se tivesse a fazer um frete. O professor tem que dar o exemplo.É mulher para ler um livro erótico no autocarro a caminho do trabalho?Não, nem nunca o faria. Mesmo que os restantes passageiros fossem adultos. Sou professora e tenho de dar o exemplo.Se fosse juíza, qual era a primeira coisa que fazia?Acabava com a corrupção do país, que cada vez é maior. Provavelmente vai agravar-se, à medida que a crise piorar. Fico triste quando vejo as notícias de corrupção a aumentar, sobretudo no futebol, como aconteceu recentemente com o Sporting.O que a irrita mais, a conversa de café ou a de futebol?Irrita-me sobretudo a conversa de café. O futebol sempre tem algum assunto agora a conversa de café é sobre absolutamente nada. E por causa disso as pessoas vão para o café falar das vidas dos outros e dizer mal das outras pessoas, deixando passar a oportunidade de falar sobre algo que seja realmente importante.O que levava para uma ilha deserta?O meu gato, Francisco (risos).Gosta de peixe do Tejo?Sim, sobretudo o sável acompanhado com uma boa açorda.
Isabel Maria Correia

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