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Uma carreira repartida entre tratar animais e dar aulas na faculdade

Uma carreira repartida entre tratar animais e dar aulas na faculdade

António Martinho, 30 anos, é médico veterinário em Santarém

No centro médico veterinário, situado no centro de Santarém, faz serviço de consultas e cirurgia, mas é na segunda vertente para a qual está mais vocacionado.

Edição de 19.06.2012 | Identidade Profissional
António Martinho começou aos 15 anos a lidar com animais de companhia quando foi trabalhar como assistente para a clínica veterinária do tio, João Cláudio, por indicação da mãe que não suportava vê-lo ligado aos Forcados Amadores de Santarém. Na clínica do tio aprendeu a fazer um pouco de tudo, a lidar com animais e até a compreender melhor as suas reacções. Com cães em casa, e como praticante de equitação na antiga escola da Quinta do Mocho, não foi de estranhar que se tenha licenciado em medicina veterinária na Universidade Lusófona. Pouco tempo depois, foi convidado para dar aulas na mesma escola onde se tem mantido como professor assistente desde 2008. É entre Lisboa e Santarém que o médico veterinário reparte a sua vida profissional, entre a faculdade e a clínica. “Fiz investigação com alguns docentes da faculdade e gostei bastante. A coordenadora convidou-me e tem sido uma excelente experiência como formação profissional numa área onde há sempre novidades”, diz António Martinho.No centro médico veterinário, situado no centro de Santarém, faz serviço de consultas e cirurgia, mas é na segunda vertente para a qual está mais vocacionado. Tem a companhia de uma colega veterinária, de duas estagiárias e de uma assistente. Trabalha essencialmente com pequenos animais de companhia como cães e gatos, enquanto os chamados animais exóticos costuma encaminhar para colegas com mais experiência com esses animais. “Trouxeram uma vez uma tarântula e, por muito que seja médico veterinário, pus-me a olhar e a pensar o que fazer. A tarântula não se mexia e liguei a um colega que me disse que estava na mudança do exoesqueleto, algo próprio destes seres”, recorda António Martinho.Costuma dar aulas entre as 08h00 e as 14h00 em Lisboa, de onde parte rapidamente para Santarém. “Muitas vezes chego às dez da noite e só comi uma sandes à pressa ou mesmo nada”, diz o médico veterinário. Aos sábados o centro também está aberto das 10h00 às 18h00.No centro veterinário recebe clientes maioritariamente de Santarém e arredores, mas também de Lisboa. Trazem todo o tipo e raças de cães e gatos que são atendidos, medicados, internados ou sujeitos a intervenções cirúrgicas. Com humor, António Martinho diz que os animais são mais fáceis de lidar do que os seus donos, o que não significa que não tenha já perdido a conta ao número de dentadas e arranhões de que foi alvo.É com grande informalidade que António Martinho aborda as situações. Se o animal já se sente desconfortável por ser visto por um estranho, muito mais agitado fica quando colocado numa marquesa. Por isso, não tem problemas em resolver os assuntos no chão. “Fujo a esses estereótipos, tal como à questão de haver um cocó no chão, não tem de ser a assistente ou a estagiária a limpar, esse trabalho cabe a todos”, defende.Questionado se tem o coração dividido entre a clínica e a faculdade, António Martinho diz que tem gostado muito de dar aulas e ensinar, aprendendo ao mesmo tempo com os colegas, professores e investigadores. Fora da semana alucinante de trabalho, António Martinho encontra no kitesurf o principal passatempo. “É uma forma excelente de fazer «reset» a tudo o que se passou na semana. Basta uma hora no Guincho e fico como novo”, garante, adiantando que é o que aproveita mais para fazer já que o tempo livre escasseia. É também um aficionado, compreende a tradição e o espectáculo da festa brava mas já não vai a corridas há cerca de um ano e tem uma opinião própria sobre a forma como o toiro é lidado e sai da arena até ao matadouro. “No México já proíbem as bandarilhas e colocam fitas de velcro nos animais. Em Portugal, depois do toiro sair da arena, são retiradas as bandarilhas, são cozidas as feridas e colocadas com sal para ir para o matadouro, quando se calhar só no dia seguinte é abatido. É algo que deve ser revisto de dois pontos de vista: por um lado mantendo uma tradição, mas por outro podia-se fazer muito mais para evitar o sofrimento do animal”, conclui.
Uma carreira repartida entre tratar animais e dar aulas na faculdade

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