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O deve e o haver de Moita Flores na hora do adeus

Balanço resumido de sete anos à frente da Câmara de Santarém
Edição de 18.07.2012 | Política
Foi em ambiente de festa que Francisco Moita Flores chegou a Santarém e conquistou para o PSD a câmara municipal em Outubro de 2005, após um reinado socialista de 30 anos. E foi também em clima festivo, que até meteu bailarico e o incontornável porco no espeto, que no dia 10 de Junho de 2012 o autarca se despediu publicamente do povo escalabitano. Entretanto passaram quase sete anos e o estado de espírito mudou entre a população. De salvador da pátria, Moita Flores passou a ser olhado por muitos com a desconfiança e o cepticismo que geram aqueles que criam grandes expectativas e depois deixam o trabalho a meio. A badalada duplicação do valor da dívida da autarquia, de 50 milhões para 100 milhões de euros, não é um bom cartão de visita para ninguém e muito menos para quem prometeu resolver o problema em 100 dias. E a oposição de esquerda tem explorado esse filão até à exaustão. A Fundação da Pedra, a requalificação da Ribeira de Santarém, a via rápida para Alcanede, a Praça dos Sabores, o novo cemitério foram alguns dos projectos que não passaram da dimensão onírica. O esqueleto de betão junto ao Tejo nas Ómnias, que tantas disputas verbais motivou na assembleia municipal, continua a ensombrar a paisagem. A universidade ligada à gastronomia em Alfange caiu no esquecimento.Moita Flores diz que parte de Santarém com saudade e um sentimento de orfandade. Alguns escalabitanos sentirão o mesmo relativamente a ele. Inegavelmente, a cidade ganhou visibilidade e auto-estima, projectou-se em termos nacionais graças às festas e a eventos como o concerto de José Carreras ou as comemorações nacionais do 10 de Junho, em 2009, que não se sabe muito bem quanto custaram. Quanto isso valeu ao certo, ninguém pode quantificar. Mais fácil de contabilizar é o efeito da requalificação do espaço público. Apesar das soluções de arquitectura não serem consensuais, hoje os jardins da Liberdade e da República ou o parque na zona do Mergulhão dão outra fisionomia à cidade e são usufruídos pela população.A segunda vida das antigas instalações da Escola Prática de Cavalaria, adquiridas pela autarquia, vai custar 16 milhões de euros e é um emblema da passagem de Moita por Santarém, tal como a instalação naquele espaço de novos tribunais ou a construção de centros escolares. A recuperação do Convento de São Francisco para usufruto da cidade é outra obra de que se pode orgulhar, tal como a transformação do antigo presídio militar em Casa de Camões e de Portugal, onde se instalou o Centro de Investigação Veríssimo Serrão. Quanto à célebre Fundação da Liberdade, é melhor esperar para ver.Para a história ficam também as quezílias com entidades da região de que a Câmara de Santarém é associada. A realização de uma feira paralela à Feira Nacional de Agricultura abriu uma frente de batalha com o CNEMA que acabou por se desvanecer na espuma dos dias. Hoje, dá ideia que não se passou nada. Tal como já muitos não se lembrarão do Festival do Alviela ou dos desfiles de Carnaval que conforme vieram assim se foram.Consequências mais concretas teve a guerra das águas, que levou Santarém a sair da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo e a criar a sua empresa Águas de Santarém, sucedânea dos antigos serviços municipalizados de água. A História revelará se a estratégia, ditada em nome da defesa dos superiores interesses do concelho, deu resultado.

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