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“A experiência dos Jogos Olímpicos é única e emocionante”

Bruno Salvador, de Tomar, é o treinador da Federação de Triatlo de Portugal que esteve a acompanhar os atletas em Londres

Para além da ginasta Ana Rente, Londres recebeu outro tomarense durante os últimos Jogos Olímpicos. Chama-se Bruno Carlos Nunes Salvador e é treinador da Federação de Triatlo de Portugal. Diz que voltou dos Jogos Olímpicos com a “sensação de dever cumprido” e satisfeito com os resultados obtidos pelos atletas que acompanhou, considerando que João Silva (9.º lugar) e Bruno Pais (41.ºlugar) representaram Portugal com grande dignidade.

Elsa Ribeiro GonçalvesAntes de Londres, Bruno Salvador já tinha, em 2004, acompanhado a comitiva da Federação de Triatlo de Portugal a Atenas quando Portugal, na sua primeira participação, alcançou o 8º lugar, com Vanessa Fernandes. Em 2008, não lhe foi possível estar em Pequim e viveu a conquista da medalha de prata através da televisão, num estágio em Font Romeu de preparação para um Campeonato da Europa. O desporto sempre foi uma paixão de Bruno Salvador, a começar pela natação, tendo integrado a equipa da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais (SFGP). “Na altura, a natação em Tomar passava por grandes dificuldades por não existir uma piscina coberta, mas com um grupo muito unido de nadadores e treinadores dedicados, como Albertino Cartaxo e António Serraventoso, foi possível dar os primeiros passos na modalidade”, refere a O MIRANTE. Foi nessa altura que Bruno Salvador decidiu seguir uma carreira desportiva como treinador, dando os primeiros passos na SFGP. Seguiu-se um convite para trabalhar no Clube de Lazer, Aventura e Competição (CLAC) do Entroncamento onde refere ter aprendido muito com o treinador e amigo Luís Borga. Mais tarde, em 1997, rumou a Lisboa para estudar na Faculdade de Motricidade Humana. “Como não podia estar longe da natação, comecei a trabalhar no Clube de Futebol “Os Belenenses” onde tive o primeiro contacto com o Triatlo, através de Mariz, atleta e seleccionador da Federação de Triatlo de Portugal”, conta. O convite para treinar uma equipa olímpica surgiu, em 2003, através do director técnico Sérgio Santos que procurava constituir uma equipa de trabalho, juntamente com António Jourdan, para os ciclos olímpicos de 2004, 2008 e 2012. “O triatlo estava em grande crescimento e era a minha oportunidade de concretizar o sonho e trabalhar com atletas de nível mundial e olímpico” conta. Bruno Salvador agarrou a oportunidade e começou a trabalhar com os melhores atletas da modalidade, tais como, Vanessa Fernandes, Bruno Pais, João Silva, João Pereira, Anaís Moniz, Duarte Marques, entre outros. Para Bruno Salvador, “a experiência dos Jogos Olímpicos é única e emocionante”. O treinador diz que tudo começa três anos antes, com o apuramento olímpico, vivendo-se alegrias e desilusões que culminam na participação nos Jogos Olímpicos. “A presença nos Jogos é ampliada por um conjunto de emoções que nos levam ao momento da prova, em que o grande objectivo é conseguir o melhor resultado por Portugal e terminar a prova com a sensação de que demos o nosso melhor, no maior palco da modalidade e em frente aos melhores atletas do mundo”, atesta Bruno Salvador, que considera que o papel do treinador passa por transmitir calma e confiança aos atletas, “mesmo que por dentro estejamos ansiosos por demonstrar o nosso trabalho”.Neste momento já se encontra a preparar os atletas para os Jogos Olímpicos de 2016 e ainda não conseguiu voltar a Tomar, cidade onde mora a sua família, que visita com regularidade e onde o irmão, Paulo Salvador, tem um ginásio aberto. “A maior parte dos meus grandes amigos são de Tomar, com quem mantenho o contacto diariamente. Considero-me um tomarense e não coloco de parte um dia voltar a viver em Tomar”, refere o treinador olímpico que não perde uma edição da Festa dos Tabuleiros, uma “das festas mais bonitas de Portugal”.Um treinador de convicções e sem superstiçõesNão ter medo de arriscar e fazer tudo com paixão, sabendo que família e amigos são os melhores bens que podemos ter na vida. É este o lema de vida de Bruno Salvador, natural de Tomar, de onde saiu há 15 anos. Mora actualmente em Linda-a-Velha, desenvolvendo o seu trabalho no Centro de Alto Rendimento do Jamor, enquanto treinador nacional da Federação de Triatlo de Portugal. Uma modalidade que exige uma dedicação muito grande nos treinos e um rigor com horários e tarefas a desempenhar. “Não é fácil acordar às 5h30 da manhã para treinar. Temos de ter uma exigência enorme com os atletas para que se encontrem constantemente focados no objectivo e no resultado”, refere. Pragmático, Bruno Salvador refere que não tem superstições, mas sim convicções. “Acredito que com dedicação e trabalho, os resultados, mais tarde ou mais cedo, acabam por aparecer”. Medalha de prata foi relatada por tomarenseOutra curiosidade que reside na participação, directa ou indirecta, de tomarenses nos Jogos Olímpicos de Londres prende-se com o facto da prova de canoagem, onde os portugueses Fernando Pimenta e Emanuel Silva alcançaram a medalha de prata, ter sido relatada por Raul Estrela, canoísta no Grupo Desportivo da Nabância, Tomar. O tomarense foi o comentador de serviço na RTP e na Eurosport para as provas de canoagem nos Jogos Olímpicos de Londres. Foi Raul Estrela que relatou a prova da dupla portuguesa e, de forma emocionada, anunciou a Medalha de Prata.

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