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Dona de árvore que caiu e deixou jovem tetraplégica trabalhava em instituição de apoio a vítimas de acidentes

Dona de árvore que caiu e deixou jovem tetraplégica trabalhava em instituição de apoio a vítimas de acidentes

Maria Calheiros, condenada a pagar 1,5 milhões de euros, é sobrinha de antigo deputado da Assembleia Nacional

A proprietária do terreno onde está a árvore que há 12 anos caiu em cima de um carro deixando Mónica Silva numa cadeira de rodas pertence a uma família muito conhecida em Benavente. A biblioteca da vila está instalada num espaço que pertencia à família Calheiros. A proprietária é sobrinha de António Calheiros Lopes e o seu pai foi administrador da Companhia das Lezírias.

A dona da árvore que caiu em cima de um carro deixando uma jovem de Benavente tetraplégica trabalhou no Centro de Reabilitação Profissional de Alcoitão, uma instituição que apoia deficientes e pessoas que tenham ficado com grandes limitações vítimas de acidentes. Maria Calheiros, que pertence a uma família bem conhecida em Benavente e é sobrinha de um antigo deputado da Assembleia Nacional no Estado Novo, foi condenada a pagar à vítima uma indemnização de 1,5 milhões de euros e já liquidou metade. A proprietária comprometeu-se a pagar o restante até ao final do ano, segundo revela uma fonte ligada ao processo. Maria Calheiros habituada a lidar com casos dramáticos de pessoas atiradas para cadeiras de rodas, dependentes, foi sempre recorrendo do processo movido pelos pais da jovem tetraplégica até o caso chegar ao Supremo Tribunal de Justiça. A proprietária não quer falar do caso e o filho, que administra as propriedades em Benavente, limita-se a dizer que vai ter que vender terras para se conseguir pagar a indemnização. Maria Calheiros vive em Cascais e raramente é vista por Benavente, apesar do seu nome ser bastante conhecido, até porque o pai foi administrador da Companhia das Lezírias que tem sede no concelho, em Samora Correia. A proprietária do terreno onde estava a árvore que caiu está reformada do Centro de Alcoitão e é sobrinha de António Calheiros Lopes, um engenheiro electrotécnico que foi deputado na Assembleia Nacional durante o Estado Novo, entre 1949 e 1969. Era possuidor de vários terrenos em Benavente, onde se incluem o Vale das Hortas e a Sesmaria do Vale, onde ocorreu o acidente com Mónica Silva. António Calheiros Lopes foi também administrador da Sociedade Industrial Portuguesa, director da Associação Industrial Portuguesa e presidente do conselho fiscal do banco Fonseca, Santos & Viana. Na Assembleia Nacional interveio em várias questões ligadas à região, tendo estado envolvido na obra de rega do vale do Sorraia. A família é bem conhecida da Câmara de Benavente, sobretudo do seu presidente António José Ganhão, um dos mais antigos autarcas da região. Para a instalação da actual biblioteca da vila foi necessário negociar um imóvel, a “Casa Calheiros”, com Rita Calheiros, irmã de Maria. A família possui várias propriedades no concelho mas a maioria dos seus membros reside fora do concelho.Recorde-se que o Supremo Tribunal considerou que Maria Calheiros omitiu, de forma “continuada e persistente”, o seu dever de vigilância sobre a árvore que vitimou a jovem de Benavente, então com 19 anos. O caso andou na justiça durante 12 anos. O filho da proprietária, Francisco Palma, considera a decisão de condenar a mãe a pagar 1,5 milhões de euros como “escandalosa” e “inacreditável”. O advogado da família, Vítor Miragaia, considerou que finalmente se fez justiça apesar da longa batalha jurídica. A jovem tetraplégica, Mónica Silva, seguia no carro conduzido pelo namorado em Dezembro de 2000 quando foi atingida por uma acácia de 15 metros de altura situada a poucos metros da faixa de rodagem. A jovem, na altura com 19 anos, trabalhava no museu municipal de Benavente, ficou em cadeira de rodas completamente dependente dos pais. Ficou com sensibilidade apenas do pescoço para cima e nos ombros, dificuldades respiratórias e uma incapacidade funcional de 95 por cento. Antes do acidente Mónica era uma apaixonada por danças de salão e chegou a competir por todo o país.
Dona de árvore que caiu e deixou jovem tetraplégica trabalhava em instituição de apoio a vítimas de acidentes

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