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Futuros licenciados da Europa não querem ouvir falar de política

Futuros licenciados da Europa não querem ouvir falar de política

De economia sabem o suficiente para perceber que terão que emigrar

São 18 raparigas e apenas dois rapazes. Futuros licenciados da Europa. Decidiram aprender português em Santarém antes de ingressar nas universidades do nosso país no âmbito do programa Erasmus. Não querem ouvir falar de política. De economia sabem o suficiente para perceber que terão que emigrar para conseguir um lugar ao sol. De preferência num país de bom clima. Como Portugal.

Edição de 12.09.2012 | Sociedade
São 09h30 da manhã. Martina Lazzarotto, 22 anos, uma estudante italiana de línguas estrangeiras, loura, 1,80 metros aproximadamente, tira um café na máquina da Escola Superior de Gestão de Santarém. É a primeira a chegar de um grupo de alunos do programa Erasmus que escolheu Santarém para aprender língua portuguesa antes de seguir para as instituições de ensino superior em diversos pontos do nosso país. Ao italiano, inglês, espanhol, árabe e japonês decidiu juntar também o português. “É uma das línguas mais faladas na Europa”, justifica. Sabe que um café em Portugal é mais barato que no seu país, metade do preço, mas não sabe qual é a taxa de desemprego em Itália. O futuro preocupa-a porque sabe que há muita gente licenciada sem emprego. Espera que a situação melhore mas seja como for os seus planos passam por sair de Itália. Quer trabalhar de preferência num país de muito sol, como Portugal. Apesar da crise que atinge o país solarengo, à beira mar plantado, os jovens europeus são optimistas. Adam Podbietto, 25 anos, estudante de fisioterapia na Polónia, também não põe de parte a hipótese de vir para cá trabalhar. Até porque a situação não é muito melhor no seu país. Já Vilija Karzaité, 20 anos, da Lituânia, estudante de pedagogia social, só sairá do país se a isso for obrigada. Tem uma ideia do ordenado que poderá auferir mas isso dependerá sempre do tipo de trabalho que conseguir. A estudante, que nos tempos livres se dedica à fotografia e à criação de peças de artesanato, não gosta de política e dispensa os assuntos de economia. Afnan Abdullah, 23 anos, holandesa, estudante de gestão, também não quer ouvir falar em política ou tudo aquilo que esteja “relacionado com o Governo”. Interessa-se um pouco por economia sobretudo a que diz respeito aos países onde quer trabalhar. Os seus planos estão bem definidos. Pretende regressar à empresa de cosméticos no Dubai onde fez o seu estágio. “Viajar é uma paixão. Já passei seis meses na Arábia e a minha mãe já percebeu que é isto que quero”, diz em inglês a jovem frequentadora de ginásios e fã de música soul que quer a todo o custo tornar-se independente.São vinte os estudantes de onze países da Europa que até 14 de Setembro vão aprender português em Santarém (ver caixa). Apenas dois são rapazes. “As raparigas são mais interessadas e os rapazes têm mais receio de experimentar coisas novas”, admite Adam Podbietto. “É um pouco o retrato do que se passa no ensino superior no geral. Há mais mulheres do que homens”, analisa a professora de história de cultura portuguesa, Fabrícia Pereira.Entre os estudantes deste grupo poucos saberão que Portugal já foi considerado lixo economicamente ou terão conhecimento das medidas de austeridade. “É um ambiente muito sadio. Ninguém está minimamente a par da crise. A única pessoa que pode estar atenta é uma aluna grega que temos. Pode achar que somos da mesma equipa: o grupo dos aflitos”, brinca o coordenador do Erasmus na escola e docente, Nuno Jorge, 38 anos. “São jovens”, remata. Os temas que dominam as conversas são os cursos que cada um frequenta, as visitas de estudo, os amigos, as idas ao supermercado e o contacto com as gentes de Santarém.Aprender língua e cultura portuguesa em SantarémOs vinte estudantes do programa Erasmus que chegaram à Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém a 3 de Setembro, estarão até ao dia 14 na cidade para aprender língua e cultura portuguesa. Escolheram a escola para frequentar um curso EILC (Erasmus Intensive Language Course) antes de prosseguirem os seus estudos, ao abrigo do Programa de Mobilidade Erasmus, noutras instituições de ensino superior portuguesas. Cinco destes vinte alunos ficarão em Santarém. Este curso EILC tem como objectivo permitir aos alunos um primeiro contacto não só com a língua mas também com a história e a cultura do país que os acolherá nos próximos meses. As aulas incluem visitas ao centro histórico de Santarém e a outros locais da região. “A ideia é que levem na bagagem algum conhecimento de Português que lhes facilite a integração. Os alunos alargam horizontes, aprendem uma língua nova, fazem novos amigos e aprendem a desenvencilhar-se sozinhos longe do seu país”, explica o docente e coordenador do Erasmus da Escola Superior de Gestão de Santarém, Nuno Jorge. Os alunos, que ficaram alojados em residências de estudantes, têm entre 20 e 24 anos e frequentam cursos variados, como medicina, educação física ou gestão. São oriundos de vários países da Europa, entre os quais Áustria, Alemanha, Espanha, Grécia, Holanda, Itália, Lituânia, Polónia, República Checa, Sérvia e Turquia.
Futuros licenciados da Europa não querem ouvir falar de política

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