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Uma colectividade que não é adepta da cultura da pedincha

Uma colectividade que não é adepta da cultura da pedincha

Associação Os 4 Unidos é a sala de estar de quatro lugares da freguesia da Madalena, em Tomar. Criada há 24 anos, sempre se habituou a viver da carolice das populações e sem apoios oficiais.

Edição de 24.10.2012 | Cultura e Lazer
A associação “Os 4 Unidos” nasceu da vontade dos habitantes de Caniçal, Carvalhal Pequeno e Murteira e São Miguel, pequenos lugares da freguesia da Madalena, Tomar, que distam poucos quilómetros entre si. O símbolo da bandeira desta colectividade, com sede em São Miguel, assemelha-se ao dos Jogos Olímpicos numa alusão aos altos valores que defende. Recentemente, cerca de 300 pessoas juntaram-se no pavilhão gimnodesportivo da associação no almoço de aniversário que se pautou pela animação, convívio e os discursos da praxe. O almoço foi confeccionado e servido, gratuitamente, por um grupo de senhoras, trabalho enaltecido pela direcção. Paulo Mendonça, 46 anos, presidente da assembleia-geral, salienta que, ao fim de 24 anos de existência, os dirigentes têm orgulho “em estar de portas abertas todos os dias do ano, das 8 da manhã às 19 horas” e de ter à sua guarda, no Atelier de Tempos Livres, 35 crianças, dando emprego a três funcionárias. A associação “Os 4 Unidos” acaba por ser o ponto de encontro da comunidade envolvente que pode usufruir da sala de convívio ou, por um preço simbólico, almoçar no bar da colectividade. António Caetano, 73 anos, actual vice-presidente, natural de Caniçal é o sócio número 2. Foi o primeiro tesoureiro da colectividade. Recorda que tudo começou com uma carta que uma antiga professora da escola primária de São Miguel - Madalena, Maria dos Anjos Ferreira, escreveu ao pároco, a 10 de Outubro de 1988, no sentido deste anunciar na missa que iria haver uma reunião do interesse das populações de Caniçal, Carvalhal Pequeno e Murteira e São Miguel. Foi deste modo que os quatro lugares da mesma freguesia se uniram para erguer uma associação comum, tal como já se verificava nas terras em redor. “Não tínhamos nada, só as nossas mãos para trabalhar”, recorda. Trabalho, seriedade e não se gastar mais do que se tem no bolso têm sido os fios condutores da colectividade. Um momento que não esquece foi quando adquiriram o terreno onde viria a ser erguida a associação e que custou, na altura, 170 contos. A escritura foi assinada no dia 8 de Fevereiro de 1990. O dinheiro para a compra do terreno foi conseguido com os donativos dos sócios, dos bailaricos que se realizavam num pavilhão emprestado ou em outras iniciativas. “Lembro-me que num dia de quaresma vendemos 120 grades de minis (cerveja)”, recorda António Caetano. As instalações foram construídas, ampliadas ou melhoradas à medida do dinheiro disponível e consoante o passar dos anos.“Nunca gastámos mais do que tínhamos”Presidente da direcção desde 2001, Manuel Patrício, 77 anos, conta que a associação sempre se pautou por uma gestão muito rigorosa. “Nunca gastámos mais do que tínhamos. Temos, neste momento, um saldo positivo de seis mil euros e sem receber subsídios de qualquer espécie. Nunca fomos adeptos da cultura da “pedincha”, atestam com orgulho, perante o actual tesoureiro, João Mota. Há um núcleo duro, constituído por quatro, cinco elementos, que garantem a abertura do bar todos os dias “por carolice”. A associação “Os 4 Unidos” conta com 700 associados mas os pagantes andam pelo meio milhar. Disponibiliza várias actividades como um serviço diário de café, A.T.L, ginástica de manutenção, ténis de mesa, hóquei em patins e futebol de salão. Anualmente, realizam alguns eventos gastronómicos como a Festa do Caracol. Tem cedido o seu pavilhão gimnodesportivo para a prática de várias modalidades desportivas e até a equipa de hóquei da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais se serviu do espaço quando não tinha onde treinar. A falta de sangue novo, nos corpos sociais, como acontece em outras associações, é uma preocupação. “Podemos oferecer aos jovens aquilo que eles quiserem. Têm aqui um óptimo espaço para trabalhar e uma carrinha para se deslocarem mas muitos vão estudar ou morar para fora e a proximidade com Tomar também acaba por não ajudar”, referem. Para António Claro, tesoureiro, a mais valia da colectividade são as pessoas que ali trabalham e as que se juntam, diariamente, em convívio. Para muita gente, “Os 4 Unidos” é quase como a sala de estar de sua casa, apesar desta albergar gente de quatro lugares.Quando as instalações foram palco de um casamento ciganoAo longo de 24 anos são muitas as histórias que a associação “Os 4 Unidos” protagonizou. Na memória dos nossos interlocutores está a ocasião em que uma família de etnia cigana, de Tomar, pediu para alugar o terreno da associação para ali realizar um casamento. A decisão não foi consensual mas a associação cedeu. A festa durou três dias e três noites. No final, os intervenientes deixaram o espaço mais arrumado do que o encontraram, nunca fazendo barulho além da hora estipulada. “Correu excepcionalmente bem. E, no dia seguinte, vieram-nos entregar 50 contos pelo aluguer”, recorda Manuel Patrício.
Uma colectividade que não é adepta da cultura da pedincha

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