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Sempre foi difícil arranjar pessoas para as colectividades

Sempre foi difícil arranjar pessoas para as colectividades

Sociedade Euterpe Alhandrense comemorou 150 anos e homenageou antigos dirigentes

Antigos dirigentes da Sociedade Euterpe Alhandrense, que comemorou no sábado 150 anos, foram homenageados pela colectividade. Para o ano, no 1º de Dezembro, seja ou não feriado, a banda vai voltar a sair à rua, avisa o actual presidente.

Edição de 05.12.2012 | Sociedade
Sempre foi difícil arranjar pessoas para as colectividades. Quem o confirma é Pedro Policarpo, 70 anos, industrial, um dos antigos dirigentes da Sociedade Euterpe Alhandrense, que deixou testemunho da passagem por uma colectividade histórica, no sábado, 1 de Dezembro, dia em que a Euterpe assinalou 150 anos numa sessão solene com mais de meio milhar de pessoas.No tempo de Pedro Policarpo não havia subsídios, mas fundos, que se conseguiam com a organização de bailes e com o lucro que se retirava do bar. Pedro Policarpo aprendeu muito na colectividade por onde passou nos anos 70 e 80 do século passado, controlando as contas da associação como presidente do conselho fiscal e tesoureiro, mas também arrumando cadeiras e servindo cafés, que um dirigente tem que fazer o serviço que é preciso. José Matos, engenheiro civil, 66 anos, lembra com humor a recepção de boas vindas que recebeu da banda após tomar posse no período quente do pós 25 de Abril. “Sem fardamento novo não há festa da Euterpe”, avisaram-no. A banda já tinha algumas dificuldades em sair, reconhece, e por isso o seu primeiro compromisso foi garantir fardas para os músicos.Para António Primavera, técnico das OGMA, 66 anos, como para muitos outros antigos dirigentes, a Euterpe foi uma segunda casa, mas foi também um pólo cultural onde circulavam os livros proibidos que se emprestavam às escondidas aos sócios. “Era o caso de «Quando os lobos uivam», de Aquilino Ribeiro”, segreda como se ainda fosse proibido referir esse título. Antes da revolução de Abril os dirigentes associativos da Euterpe, muitos dos quais eram também dirigentes do Alhandra Sporting Club, eram visitados no trabalho pela PIDE que os controlava de perto. Manuel Pego, 80 anos, médico, orgulha-se de ter passado pela colectividade mais antiga do concelho.A associação que organizava bailes passou ao longo do tempo a acolher concertos e espectáculos de cada vez maior dimensão e teve um crescimento exponencial, admite Franklim Baptista, 77 anos, comerciante reformado e antigo dirigente. Para os dirigentes mais novos, a passagem pela colectividade abriu horizontes e mostrou-lhes novas formas de se relacionarem com o outro tendo como objectivo um bem comum. Catarina Gonçalves, filha de Mário Rui Gonçalves, aprendeu que naquela casa não existe o “código do cansaço”. O actor Albano Jerónimo, que deu os primeiros passos no palco como elemento do grupo de teatro “Esteiros”, marcou presença na cerimónia para dizer que é produto da Euterpe Alhandrense e do investimento da mãe, que o acompanhou à cerimónia de braço dado.No dia em que a Sociedade Euterpe Alhandrense comemorou os 150 anos comemorou-se também o 1º de Dezembro, que evoca a restauração da independência. O actual presidente da direcção, Jorge Zacarias, avisou num discurso quase revolucionário, que a colectividade vai continuar a resistir às dificuldades e que para o ano, no 1º de Dezembro, seja ou não feriado, a banda vai sair à rua.
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