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Preservar os lugares históricos e as memórias de quem lá viveu

Preservar os lugares históricos e as memórias de quem lá viveu

Dia Nacional dos Centros Históricos Portugueses foi comemorado em Santarém

O Dia Nacional dos Centros Históricos Portugueses foi assinalado este ano em Santarém. José-Augusto França, homenageado com o prémio “Memória e Identidade”, elogiou a forma como os proprietários da casa da Quinta de Vale de Lobos, em Azóia de Baixo, preservaram a memória de Alexandre Herculano que ali viveu e faleceu em 1877.

Edição de 03.04.2013 | Sociedade
A casa da Quinta de Vale de Lobos, em Azóia de Baixo, Santarém, onde viveu e faleceu, em 1877, Alexandre Herculano preserva ainda as memórias do historiador, escritor e poeta. Para José Augusto França, historiador e crítico de arte, este é um bom exemplo de preservação da identidade de um lugar, da arquitectura mas também das memórias de quem lá viveu. “Os actuais proprietários perceberam a responsabilidade que tinham”, elogiou, na quinta-feira, 28 de Março, Dia Nacional dos Centros Históricos Portugueses. Na mesma data, que coincidiu com o 203º aniversário natalício de Alexandre Herculano, José-Augusto França foi homenageado com o prémio nacional “Memória e Identidade”, concedido pela Associação Portuguesa dos Municípios com Centros Históricos, numa cerimónia que se realizou este ano nos paços do concelho, em Santarém. Por oposição ao bom exemplo da preservação da memória de Alexandre Herculano, José Augusto França recordou a triste história do palacete romântico onde viveu e morreu Almeida Garrett, em 1854, autor de “Viagens na minha terra”, que foi destruído porque valores imobiliários falaram mais alto apesar da oposição de muitos homens da cultura portuguesa. “Há um livro que se chama Lisboa física e moral, o que faz sentido porque as cidades são os edifícios e as pessoas que lá vivem”, salientou José-Augusto França.Durante a cerimónia foi realçado o carácter e exemplo de coerência de José-Augusto França face à salvaguarda do património cultural e da identidade nacional, nomeadamente o que se passou em 2006 quando o homenageado manifestou pública e vigorosamente a sua indignação - que culminou na devolução da medalha de honra da cidade de Lisboa que lhe tinha sido atribuída em 1992 - contra fortes interesses imobiliários e políticos envolvidos em “ignorância, insensibilidade e indiferença” perante a memória identitária e patrimonial que conduziram à demolição do palácio de Garrett. No ano em que comemora o 25º aniversário, a Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico aproveitou ainda para distinguir na mesma cerimónia outros vultos da cultura e da história, como Vítor Veríssimo Serrão, Pedro Canavarro, Maria Emília Vaz Pacheco, Martinho Vicente Rodrigues, Rosalina Melro e João Moreira, entre outras personalidades. Vítor Veríssimo Serrão lamentou as “iconoclastias (destruição de ícones), atentados, maldades e atropelos” que se concretizam por falta de dados históricos.
Preservar os lugares históricos e as memórias de quem lá viveu

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