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O fascínio pela psicologia

O fascínio pela psicologia

Psicóloga Carla Ferreira dá consultas e também é directora do Lar Golden Haven

Apesar de ter alguns pacientes homens a maioria são mulheres. Carla Ferreira considera que as mulheres procuram mais ajuda e são também mais transparentes, vão mais directas ao assunto.

Edição de 17.04.2013 | Identidade Profissional
Desde muito cedo que Carla Ferreira definiu que carreira profissional queria seguir: psicologia. É uma pessoa com facilidade em comunicar e sempre se interessou e preocupou em ouvir os problemas dos amigos na adolescência. Todos esses factores levaram-na a licenciar-se em psicologia, um curso que adorou tirar. “Sempre tive muito interesse pelas ciências ligadas às áreas sociais, era o que mais me fascinava. Adorei tirar o curso e nunca foi penoso ir às aulas. Este curso ajuda-nos a conhecer-nos a nós próprios. Nunca me imaginei a exercer outra profissão”, explica a O MIRANTE.Carla Ferreira, 36 anos, é psicóloga há 13 anos. Dá consultas de psicologia e faz psicoterapia no São Gregório Consultórios Médicos, em Rio Maior, na clínica W-Med, em Santarém, e é directora do lar Golden Haven, em Alforzemel (Santarém). Desloca-se todos os dias ao consultório de Rio Maior, ao final do dia, excepto às quartas-feiras, dia em que dá consultas em Santarém.Carla Ferreira explica que o psicólogo, ou terapeuta, está nas consultas para ajudar o paciente a conhecer-se a si próprio, a entender como está naquele momento e qual a origem do seu mal-estar ou dos seus problemas. “Todos temos uma estrutura mental diferente. O terapeuta vai organizar o paciente dentro da sua estrutura e ajudar a que se sinta bem, se não for esse o caso. De referir que a procura do psicólogo pode também existir para auto conhecimento, sem haver necessariamente mau estar. Retribuímos à pessoa o que sentimos que ela precisa, o que não significa que seja sempre aquilo que ela quer ouvir”, refere com boa disposição.A psicóloga admite que a sua profissão é um pouco desgastante, mas é muito compensadora. “Quando estou com um paciente tenho que estar totalmente com ele. De outra forma as coisas não resultam”, diz. Os problemas do paciente ficam sempre dentro do gabinete de trabalho, local onde devem permanecer.Apesar de ter alguns pacientes homens, a maioria são mulheres. Carla Ferreira considera que elas procuram mais ajuda e são também mais transparentes, vão mais directas ao assunto. “Com eles, e antes da avaliação, é difícil perceber o que os perturba. São mais reservados”, explica. Também tem muitas crianças e adolescentes no seu consultório. Problemas na escola e divórcio dos pais continuam a ser os principais motivos que levam os mais novos à cadeira do psicólogo.Entre os mais velhos continua a haver muitos pacientes que fazem questão de manter sigilo sobre o facto de andarem em consultas num psicólogo. “Já está a diminuir a carga negativa dada a quem nos procura, mas ainda não desapareceu totalmente. Algumas pessoas vêm a medo, mas quando percebem o funcionamento da consulta ultrapassam os pruridos iniciais”, justifica.Um assunto que preocupa a psicóloga é o dos casos de tristeza nos jovens, muitas vezes encaminhados para psiquiatria pelo médico de família ou outro interveniente envolvido. Quando isso acontece iniciam cedo a toma de comprimidos sem ser feito o despiste psicológico adequado. “Não quer dizer que não possam precisar desse acompanhamento psiquiátrico, mas por vezes uma terapia à parte é suficiente para evitar o recurso a fármacos, que nestas idades é sempre muito complicado”, sublinha.No lar Golden Haven também faz um bocadinho de psicóloga, num local onde o suporte afectivo é o mais importante. A fase final do ser humano é outra área onde gosta muito de trabalhar. Os laços de amizade criados com os mais velhos são uma constante e quando algum morre é um momento sempre difícil. No entanto, a directora do lar faz questão, sempre que possível, de estar com eles nos últimos momentos da sua vida. “Costumo dizer que prefiro que morram no lar, num ambiente familiar, do que irem para o hospital. Se percebo que estão nos momentos finais da sua vida fico ali ao lado, dou-lhes a mão e estou com eles. Sinto que lhes dou tudo o que posso enquanto estão vivos”, conclui.
O fascínio pela psicologia

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