
O campino que começou a trabalhar aos sete anos e ganhou muitas corridas em festas da região
Orlando Rocha Vicente é avô do matador Nuno Casquinha e vai ser homenageado na Feira de Maio de Azambuja
Orlando Rocha Vicente, o campino homenageado este ano na Feira de Maio em Azambuja, começou a trabalhar no campo aos sete anos de idade acompanhando o pai. Trabalhou nas maiores casas agrícolas da região e orgulha-se de ter vencido muitas corridas de campinos, gincanas e provas de condução de cabrestos que noutros tempos davam muito prestígio às ganadarias. Hoje com 77 anos, Orlando Rocha Vicente, natural de Castanheira do Ribatejo e a residir em Porto Alto (Benavente) está reformado mas não se despegou da vida do campo ajudando o genro na herdade deste. É avô do matador de toiros Nuno Casquinha. Os troféus das corridas estão expostos na tertúlia de sua casa onde há muitas figuras de toiros e cavalos. Ao longo da vida participou em muitas feiras da região, como no Cartaxo, Vila Franca, Santarém e Azambuja. Estreou-se na Marinha Grande com um segundo lugar. “Uma vez na Feira de Santarém cada campino tinha três cavalos, um para a corrida, outro para a gincana dos fardos e outro para a condução de cabrestos. Eu só tinha uma égua para fazer todas as provas e queriam deixar-me de fora. Afinal, participei na corrida. Quando rebenta o tiro, um tenta encostar-me às varolas mas reagi e com um “hei” a égua dispara em velocidade e só parou na linha de meta, onde ficou sentada. Nessa feira, fui primeiro lugar também na gincana com os fardos e segundo com os cabrestos”, recorda com orgulho.Franzino mas férreo, de palavra pronta e bem-disposto, Orlando recorda os seus tempos de menino. Uma vez pegou em arame e cordel e fez a cabeçada e freio para um cavalo. De uma saca com palha fez o arreio e de uma vara de charrua o pampilho. Tinha nove anos e o sonho de ser um grande campino. “Um dia peguei na montada e a vara prendeu no chão e apanhou-me a cara com a outra ponta, caí ao chão mesmo frente a um toiro. Deu-me uma tareia que chegou para 14. Ao meu tio, que chegou depois, disse que tinha caído de uma oliveira. Só que um guarda da herdade contou-lhe a verdade, o meu pai veio a saber, e voltei a apanhá-las”, recorda hoje com um sorriso.Foi depois de cumprir a tropa que se dedicou a tempo inteiro a ser campino. O gosto pela velocidade e pelas corridas estendeu-se às bicicletas e, durante a tropa, fez várias vezes o trajecto entre Pancas, Alcochete, e a Amadora. “Não fui como o Alves Barbosa, corria bem e a subir fugia de todos, que até me inscrevi num clube de Queluz. Na primeira corrida de ciclismo que venci tive como prémio um coelho, um pão e umas garrafas de vinho”, recorda. Perdeu-se um ciclista e ganhou-se um campino. “Não sei que futuro teria em cima de duas rodas”, questiona-se.Passou por várias casas agrícolas, de Conde Cabral a Fernando Palhas, de Moreira Rato a Prudêncio, passando por Pinto Barreiros onde ficou até deixar a actividade perto dos 70 anos. Nunca se conformou e procurou sempre melhores condições para si e confessa orgulhoso que nunca se rebaixou aos caprichos ou comentários dos senhores agrícolas. Actualmente ajuda na herdade do genro a tratar dos cabrestos entre outras actividades. Nos tempos livres acompanha as corridas de toiros em diversas praças e as carreiras dos netos na festa brava.Uma família ligada à festa bravaOrlando Rocha Vicente é avô do matador de toiros Nuno Casquinha, conhecido na família por Miguel. O seu filho, Orlando Vicente, equitador, é marido da cavaleira tauromáquica Ana Batista. Os dois netos de Orlando Rocha Vicente são bandarilheiros: Diogo Vicente, que faz parte da quadrilha do matador espanhol El Fandi, e Pedro Vicente está na quadrilha de Ana Batista.

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