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O BTTista de Alverca que chega a treinar dez horas seguidas para as provas de ultra resistência

O BTTista de Alverca que chega a treinar dez horas seguidas para as provas de ultra resistência

Rui Damião passa grande parte do seu dia sentado em cima de uma bicicleta

Tem 30 anos e já passou metade da sua vida dedicado à patinagem de velocidade. Rui Damião, de Alverca, trocou os patins pelo BTT e já não passa por um desconhecido no meio. Gosta de participar em provas de longa duração que podem chegar às 24 horas.

Já teve um grave acidente na ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira, mas nem isso o amedrontou de continuar a pedalar. Rui Damião, 30 anos, de Alverca é já um nome conhecido nas provas de BTT que se vão realizando no país. Está a disputar o OpenXCR, o troféu ibérico onde se pedala durante um dia sem parar e tem várias etapas. Luta ainda por um lugar cimeiro. Os treinos que realiza chegam às dez horas. Depois de 16 anos dedicados à patinagem de velocidade onde conquistou todos os troféus possíveis, Rui Damião encontrou novos desafios no BTT. “Estava um pouco saturado. Na patinagem existem menos praticantes e já tinha conquistado tudo”, explica. Nesta altura já dava aulas de cycling num ginásio do Porto Alto, mas o ponto de viragem aconteceu com a participação em 2010 na prova de BTT Terras do Toiro, que a Associação Recreativa do Porto Alto (AREPA) realiza todos os anos. Ficou em primeiro lugar, batendo centenas de atletas. Pouco tempo depois participou com a equipa de BTT de Samora Correia, o Samora Bike Team, na prova de 24 horas de Coruche e o 7º lugar conquistado voltou a aguçar o apetite. Decidiu encostar os patins e dedicar-se a sério ao BTT, com especial interesse em provas de ultra resistência. O dia-a-dia de Rui Damião, que é treinado por uma referência no BTT, Pedro Maia, começa em cima de uma bicicleta. No mínimo pedala duas horas antes de começar a trabalhar num ginásio, onde também dá todos os dias aulas de cycling. Já de regresso passa por uma associação do Sobralinho para dar mais uma aula de ginástica. Só chega a casa a partir da meia-noite. Nos fins-de-semana realiza treinos mais longos, que podem chegar às dez horas. Os amigos às vezes acompanham-no, mas só nos primeiros tempos. “O ciclismo é um dos desportos mais duros. É desgastante a nível físico, mas eu gosto de desafios. A minha vida é o desporto”, garante. Tem cuidado com a alimentação que realiza e é obrigado a socorrer-se de alguns suplementos. Na estrada diz que ainda existe muito desrespeito pelos ciclistas e já sofreu um grande acidente na Ponte de Vila Franca de Xira. “Nos primeiros momentos até tive medo de voltar a pegar na bicicleta, mas acabou por passar. Na estrada tenho de ter mais atenção com os automobilistas do que comigo”, refere. Escassez de apoiosTal como em grande parte das modalidades desportivas, com excepção do futebol, os apoios são muito escassos. Rui Damião nunca recebeu qualquer apoio monetário por parte da Câmara de Vila Franca de Xira ou da Junta de Alverca, apesar dos bons resultados que tem conquistado ao longo da sua carreira. Um patrocínio de uma loja de bicicletas de Samora Correia que também paga a inscrição nalgumas provas que realiza é um dos seus maiores apoios. O material é caro e a bicicleta que tem, avaliada em mais de 2000 euros, precisa de manutenção regular. “Numa prova de alta competição, o material pode fazer toda a diferença, mas não basta. Podemos ter um Ferrari que sem um bom motor não anda”, diz. Por isso treina dia e noite e assim vai continuar. Embora esteja concentrado no BTT, garante que ainda resta tempo para estar com os amigos e se divertir. “Sou uma pessoa muito competitiva, quando meto na cabeça um objectivo não descanso enquanto não o concretizo. Tenho sempre de estar no Top 5. Sei que vou lá chegar um dia”, conclui Rui Damião, que tem dificuldades em descrever a “sensação” com que fica depois de terminar uma prova.
O BTTista de Alverca que chega a treinar dez horas seguidas para as provas de ultra resistência

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