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Duas horas de festa graças à juventude da banda Gualdim Pais e à frescura da Quinta do Bill

Duas horas de festa graças à juventude da banda Gualdim Pais e à frescura da Quinta do Bill

O encontro improvável resultou em pleno: As duas mil pessoas que compareceram viveram um momento único

Os músicos da Quinta do Bill saltavam na boca do palco em frente a um mar de braços no ar que se agitava freneticamente enquanto os músicos da banda Gualdim Pais erguiam bem alto os instrumentos e dançavam ao som da música que tocavam. O concerto que juntou as duas bandas de Tomar foi mais uma prova do elevado nível cultural da cidade.

Praça de Touros, em Tomar. Sexta-feira, 19 de Julho. Faltam cinco minutos para as dez da noite quando os elementos da Banda Filarmónica Gualdim Pais recebem a indicação de que a entrada em palco não irá tardar. Alinhados junto às escadas alguns vão espreitando através da tela verde de ráfia que faz as vezes de porta dos bastidores, as mais de duas mil pessoas que ocupam a bancada e a plateia. Casa quase cheia. Alguém em cima do palco repara na máquina fotográfica. “Ah. É d’ O MIRANTE. Então pode fotografar à vontade”. Chamam o maestro Hermenegildo Campos para que fique no retrato também.A expectativa é grande. Pela primeira vez nos 25 anos de carreira os Quinta do Bill tocam com uma banda filarmónica. Pela primeira vez nos 136 anos da sua história a Banda da Gualdim Pais toca com um grupo de música pop e rock. Com tudo a postos arranca a festa que durará um pouco mais de duas horas. Graças aos arranjos do professor e compositor Nuno Leal o som da Gualdim Pais encaixa perfeitamente no som dos Quinta do Bill. A juventude dos músicos da banda filarmónica permite que eles alinhem com alegria em alguns momentos de coreografia. Instrumentos de sopro no ar a dançar. Músicos de braços no ar a ondular em resposta ao mar de braços do público. Carlos Moisés e os seus companheiros tiveram companhia à altura em termos musicais e de criação de ambiente. O à-vontade era tanto e o trabalho de preparação tão bem feito que o Maestro chegou a fazer arrancar a banda para a repetição da parte final de uma canção que o público não queria dar por terminada.O espectáculo teve três encores. Terminou em apoteose, já depois da meia-noite, com Filhos da Nação mas já tinha tido momentos altos, nomeadamente com “Menino” (uma adaptação de uma canção da Beira Baixa feita por um outro grupo da cidade chamado “Filarmónica Fraude” de finais dos anos sessenta) e os inevitáveis “Voa” e “Se te amo”, este com dezenas de luzes de telemóveis a ondular acima das cabeças das pessoas. A Gualdim Pais tocou os parabéns ao guitarrista Cató, da Quinta do Bill, que fez anos no dia do concerto e o público cantou a plenos pulmões. Carlos Moisés dedicou-lhe o tema “Vai e sê feliz”. O vocalista do grupo também fez questão de salientar a adesão do público num momento de crise como o que Portugal atravessa. Os concertos que a banda deu este ano na região (Abrantes, Chamusca e Mação) foram integrados em festas municipais e não tiveram entradas pagas ao contrário do de sexta-feira passada.Meia hora antes do início do concerto, num exíguo espaço ao lado do palco onde foram montados lugares com iluminação individual, os músicos afinam e limpam os seus instrumentos. Entre risos de nervoso miudinho, mostram-se confiantes. Luís Sousa, que toca instrumentos de percussão refere que é normal, dentro de uma banda com elementos de várias idades, haver uns mais nervosos do que outros. Quanto a ele diz que está assim-assim. “Agora não consigo pensar em nada”, explica enquanto espreita as bancadas já bem compostas àquela hora. Mais descontraídas, encontrámos Aida Freitas, contrabaixista, e Sónia Oliveira, clarinetista. “É muito bom que as pessoas tenham aderido. Não deixa de ser a Quinta do Bill mas com uma riqueza de sons diferente do normal. Estamos tranquilas. Temos confiança no que foi feito”, atesta Aida. De volta do seu oboé, Bárbara Melenas confessa que estava nervosa mas relaxada ao mesmo tempo. “É algo que nunca fiz mas sei que quando pisar o palco vou sentir-me em casa ao ver a minha praça cheia”, refere.
Duas horas de festa graças à juventude da banda Gualdim Pais e à frescura da Quinta do Bill

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