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“O teatro está a ser muito maltratado pelos políticos”

“O teatro está a ser muito maltratado pelos políticos”

Pedro Cera, encenador dos grupos Grémio Dramático Povoense e Gruta Forte em Vila Franca, diz que não podem ser tratados como ranchos folclóricos
O encenador dos grupos de teatro do Grémio Dramático Povoense e Gruta Forte considera que esta arte está a ser muito maltratada pelos políticos. Pedro Cera, que foi um dos fundadores do Cegada e é um dos rostos mais conhecidos do teatro em Vila Franca de Xira, diz que os grupos não podem ser tratados como ranchos folclóricos ou associações columbófilas. “Existe um protocolo com a câmara para apoios que serve apenas para dizerem que nos dão qualquer coisa”, critica.Pedro Cera tenta escapar às perguntas mais difíceis, mas acaba por desabafar que os “apoios estão aquém das expectativas”. E prossegue realçando que “tem de existir uma política cultural diferente”, criticando o papel e as opções dos políticos que afirma não terem sensibilidade para a cultura. Aponta como prova o apoio logístico que está protocolizado com o Município de Vila Franca. “Temos material de som e iluminação com algum valor e quando pedimos transporte para o material aparece-nos um veículo de transporte de entulhos ainda com restos de demolições”.Quando o actor João de Carvalho foi vereador da cultura pela Coligação Novo Rumo, no âmbito de um acordo com os socialistas, Pedro Cera diz que ainda teve esperança que as coisas mudassem. Considera agora que João de Carvalho, que abandonou as funções na sequência de desentendimentos entre a coligação e o PS, “não teve meios a seu dispor”. Esta ausência de investimento no teatro e noutras artes é algo que na sua opinião se irá pagar mais tarde. “O gosto para criar e pensar vai-se diluindo e com isso surge a incultura e as manifestações extremistas e ninguém percebe que os outros somos todos nós”, conclui. Há mais de 25 anos ligado ao teatro no concelho o encenador, dramaturgo e actor de 54 anos, critica o modo como são tratados os grupos de teatro amadores. “O que distingue o teatro amador do profissional é que nós trabalhamos por prazer e não por dever. Todos já pintamos uma tela ou cosemos um vestido. Sai tudo das nossas mãos. É algo mágico e terapêutico”, explica.De bombeiro impressionado com a identificação de cadáveres a actor Pedro Cera viveu até aos seis anos na pequena aldeia de Porto de Muge, freguesia de Valada, concelho do Cartaxo, antes de se mudar para Alverca onde ainda continua a morar. O último de oito irmãos, vestiu o papel de actor pela primeira vez aos nove anos na escola, mas o seu primeiro interesse surge com o desenho. Ingressou na Escola de Artes António Arroyo, em Lisboa, para tirar desenho gráfico e fotografia. A noite, a música, o teatro, as namoradas e os Beatles desencaminharam-no do estudo. Não esquece o desgosto que teve com o seu primeiro amor, uma rapariga indiana que acabaria por morrer mais tarde num acidente de automóvel. Um curso de socorrismo ajudou-o a entrar num corpo de bombeiros privativo que pertencia a uma empresa de reparação naval. Um grande acidente ferroviário na Póvoa e o trabalho de identificação dos corpos que teve de realizar marcaram-no de tal modo que o levaram a mudar de profissão. Há 25 anos que trabalha com crianças e jovens portadores de deficiência na Cerci Póvoa. “É um grupo muito especial e aquilo que acabo por receber é indescritível”, revela. Sempre ligado à comunidade, envolveu-se com a criação da Casa da Juventude e Cultura de Alverca e pouco tempo depois com a criação do Cegada - Grupo de Teatro e nunca mais deixou o teatro.Um amante do montanhismoDesde muito jovem que Pedro Cera gosta de partir sozinho com uma mochila às costas para a montanha onde leva o seu material de sobrevivência. Foram muitas as vezes que montou acampamento nos montes de Alverca só para ver o nascer do Sol. Já percorreu os picos da Europa. “Tento viver o menos urbano possível. Sempre gostei muito de viver no meio da natureza. É uma filosofia de vida, não é preciso muito dinheiro, basta acima de tudo gostar e querer”, conclui.
“O teatro está a ser muito maltratado pelos políticos”

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