uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Situação difícil no União de Almeirim

Dívidas acumuladas a fornecedores e à Segurança Social somam mais de 180 mil euros

A situação financeira em que se encontra o União Futebol Clube de Almeirim é muito mais grave do que a que foi inicialmente apresentada ao grupo que quer implementar o projecto “Viver UFCA”. O passivo do clube, inicialmente apontado para 100 mil euros, já vai nos 185 mil euros.

O projecto liderado pelo empresário André Mesquita que tem como objectivo pagar a dívida e desenvolver desportiva e socialmente o clube, chegou a formar uma direcção e a ser eleito em assembleia geral mas, face ao rol de problemas que têm surgido, acabou por se recusar a tomar posse e partir para a constituição de uma comissão administrativa, criada no seu seio e com o mesmo presidente.Segundo André Mesquita, o grupo que já conta com cerca de cinquenta adesões, continua a trabalhar com o mesmo entusiasmo com que começou a elaboração do projecto. “Foi o aumento constante da dívida que nos foi apresentada de início que levou a que optássemos por iniciar o trabalho com uma comissão administrativa”.Quando iniciou o projecto o grupo foi informado pela comissão administrativa que se encontrava a dirigir o clube, que o passivo andaria na casa dos 60 mil euros, que seriam uma dívida à Segurança Social e a dois ou três fornecedores. A partir dessa premissa o grupo elaborou um projecto com um orçamento de 120 mil euros, que seriam para pagar os 60 mil euros e 20 mil euros para amortizar outros passivos que o clube tivesse. O restante seria para fazer girar o clube desportivamente.“Tudo corria sobre rodas, e mesmo sem ainda sermos directores começámos a trabalhar e a fazer contactos com empresas, instituições, treinadores e jogadores. Neste momento temos já formadas equipas de futebol em todos os escalões, andamos pessoalmente a tratar da relva e vamos avançar para os arranjos em todo o estádio, e partimos para a formação de uma lista para apresentar a sufrágio. Tudo avançava no bom sentido”, disse o empresário.Mas pouco antes das eleições o grupo veio a saber que já não eram apresentadas contas à três anos. Soube também que não havia acordo nenhum com as Finanças para pagamento da dívida. “Aí ponderámos se iríamos para eleições ou não. Depois de alguma discussão decidimos avançar, para não colocarmos a época de futebol em risco”, referiu André Mesquita.“Fomos naturalmente eleitos, mas desde logo colocámos a condição de só tomarmos posse depois das contas correctamente apresentadas, queríamos que finalmente os sócios do clube tivessem a informação correcta da vida do clube, condição que foi aceite e as contas foram apresentadas”, disse o dirigente, acrescentando que foi aí que a situação se alterou.No dia das eleições o passivo do clube já estava nos 116 mil euros. “Quase o dobro do que nos tinha sido comunicado”. Nesse mesmo dia uma pessoa que fazia parte da comissão administrativa foi chamado para assinar as contas finais. “O que aconteceu é que essa pessoa não foi assinar as contas, foi levar mais uma série de dívidas que tinha em seu poder para serem acrescentadas. E quando tínhamos tudo preparado ficámos a saber que afinal as dívidas do clube já vão nos 185 mil euros”.Perante estes novos dados, o Grupo “Viver UFCA” arrepiou caminho e resolveu não tomar posse. “Propusemos que todos os corpos sociais se mantivessem em exercício e nós avançaríamos por fora, trabalharíamos assim até Dezembro, e depois faríamos um balanço da situação e decidia-se o que fazer. Essa situação não foi aceite por nenhum dos órgãos sociais em exercício e a assembleia terminou sem qualquer decisão”.O grupo reuniu e resolveu avançar para a criação de uma comissão administrativa para tomar conta do clube até Dezembro, e numa segunda assembleia geral apresentou uma carta aberta aos sócios para os esclarecer de todos os problemas e o projecto a implementar. Nessa carta a comissão administrativa que foi aceite e é formada por André Mesquita, Agostinho Fernandes, Pedro Borrego, Juvenal Dias e Mário Amoroso, cinco elementos do Grupo “Viver UFCA”, garantiu a continuidade em funções da mesa da assembleia geral e o conselho fiscal. “Com mais agilidade do que uma direcção mantemos todo o nosso projecto, comprometemo-nos a resolver o maior número possível de problemas do clube, não acrescentar nem mais um euro de dívida ao clube, e em Janeiro apresentar um balanço da actividade e partir-se então para eleições a que de certeza iremos concorrer”, disse André Mesquita.Subsídio da câmara e pagamento às finançasO Grupo “Viver UFCA” em conjunto com a comissão administrativa começou efectivamente a trabalhar no dia 29 de Julho, são os próprios elementos do grupo que andam a fazer o tratamento da relva do estádio, têm preparada uma campanha que vai trazer várias pessoas a fazer a pintura de todas as instalações. “Pedimos o apoio da câmara para o arranjo da bancada e continuamos os contactos para que o estádio passe para a posse do município”.A comissão administrativa que passou a gerir e quer trazer de volta o União à cidade de Almeirim, conta também com o apoio da autarquia. “Contamos com os 37.500 euros que a câmara nunca deixou de atribuir ao União, apesar de todos os problemas e não serem apresentadas contas. Vamos começar por fazer o pagamento aos nossos fornecedores. E depois de arrumarmos a casa, vamos então sim, tentar estabelecer um acordo com as finanças que nos permita fazer o pagamento da dívida, sem asfixiar a vida do clube”, garantiu André Mesquita.

Mais Notícias

    A carregar...