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Maior acampamento regional mostrou que ser escuteiro hoje é muito mais confortável

Maior acampamento regional mostrou que ser escuteiro hoje é muito mais confortável

A zona ribeirinha de Valada, concelho do Cartaxo, recebeu durante sete dias 1150 escuteiros que participaram no IX ACAREG, naquele que foi o maior acampamento de escuteiros católicos realizado na região de Santarém. O MIRANTE foi lá e constatou que já não há acampamentos como antigamente.

Com comodidades que há algumas décadas atrás eram uma miragem, o acampamento regional do Corpo Nacional de Escutas que se realizou na passada semana em Valada, Cartaxo, mostrou que os escuteiros de hoje têm a possibilidade de usufruir do contacto com a natureza com muito mais mordomias, fruto da evolução tecnológica mas também de imposições legais. As latrinas escavadas no chão foram substituídas por contentores de casas de banho. A luz é fornecida por geradores, há postos de abastecimento de água ao longo do acampamento e até já se pode usufruir de pontos de carregamento de telemóvel. Um cenário inimaginável há 20 ou 30 anos.Escuteiro desde os sete anos de idade, Paulo Francisco, chefe regional, ainda se lembra do seu primeiro acampamento. “Nunca me esqueci, foi um acampamento só de uma noite, mas a experiência de dormir com os outros amigos na tenda, o estar à noite em campo foi marcante”, relembra. Para o chefe regional, estas “são experiências que ficam para sempre” na memória dos participantes e que contribuem positivamente para o seu crescimento pessoal.Também Paulo Gameiro, no escutismo há mais de três décadas, não se esquece do primeiro momento em que acampou na zona de Tomar, agrupamento ao qual pertence. “Lembro-me que a minha mãe estava muito preocupada por causa do frio. Nessa altura, as tendas ainda eram feitas com material militar. Havia muita humidade e se chovia, também chovia lá dentro”, descreve.Agora, as tendas são impermeáveis e mais confortáveis. E num acampamento há quase tudo aquilo a que um jovem está habituado no seu dia a dia. As diferenças para o quotidiano são mais ténues e mesmo em pleno campo nunca se está isolado do mundo graças às novas tecnologias.Regina Filipe, tem 15 anos e vive em Alcobertas. Chegou ao escutismo em 2006 por incentivo dos pais e considera que ser escuteira a tem ajudado a tornar-se menos dependente. “Lá fora sou um bocado ligada ao computador e ao telemóvel, por isso é que eu acho que é importante nós virmos para aqui. Conseguimos ter um melhor dia se não estivermos tão fechados e nos relacionarmos com outras pessoas”, confessa a pioneira, afirmando que tenta não utilizar muito as novas tecnologias enquanto está em campo.A animação e convívio são uma constante nas quatro secções de escuteiros, associadas às faixas etárias - lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros. Cristiano Duarte, 15 anos, de Vila Nova da Barquinha, é escuteiro há um ano e acampou pela primeira vez este ano. O jovem pioneiro defende que as novas tecnologias são perfeitamente dispensáveis. “É importante inteirarmo-nos com a natureza e deixar as tecnologias de fora”, assegura.A caminheira Elisabete Filipe, 21 anos, vive na Chamusca e confessou a O MIRANTE que já há alguns dias que tinha o telemóvel desligado na tenda e que não lhe fazem falta as novas tecnologias. Mesmo com mais comodidades, a escuteira acredita que as vivências são experienciadas com a mesma intensidade que nos tempos em que tudo era mais rudimentar. Acampar durante alguns dias desprovida das mordomias diárias traz ensinamentos e sensações que só quem é escuteiro consegue transmitir. “É chegar a casa e sentir que a televisão não serve de grande coisa, é dar realmente valor àquilo que temos”, afirmou a O MIRANTE Elisabete. O IX ACAREG terminou no sábado, 27 de Julho, mas na mochila os participantes levam a saudade. Na hora da partida “estamos felizes, mas ao mesmo tempo deixamos um bocadinho de nós, tanto com os outros, como com o acampamento, porque partilhamos muita coisa, partilhamos muitas experiências”, completa Elisabete Filipe.Ao longo do acampamento foram muitas as actividades realizadas pelos escuteiros, tanto em água como em terra, mas sem nunca esquecer que é preciso colocar mãos à obra para cozinhar ou lavar a loiça. Se bem que no caso dos lobitos - dos 6 aos 10 anos - e dos dirigentes dos serviços, as refeições são fornecidas por uma empresa e ultimadas no refeitório montado em campo.A dimensão espiritual e a formação cristã são também base deste acampamento que este ano assumiu o lema “Faz-te ao largo”. Em Valada estiveram representados 27 agrupamentos da região de Santarém e um grupo convidado do agrupamento de S. Dâmaso, Guimarães. Daqui a quatro anos o ACAREG está de volta e novos momentos encherão as mochilas destes escuteiros de hoje, que nunca esquecerão os ensinamentos deixados por Baden-Powell, fundador do escutismo mundial.
Maior acampamento regional mostrou que ser escuteiro hoje é muito mais confortável

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