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Guerras entre vizinhos e pedidos de emprego enchem agenda do presidente da Câmara de Alpiarça

Guerras entre vizinhos e pedidos de emprego enchem agenda do presidente da Câmara de Alpiarça

Um presidente de câmara é uma pessoa poderosa no seu território e as consequências da proximidade entre eleitos e eleitores manifestam-se de diversas formas, como os pedidos de emprego, as queixas devido a guerras de vizinhança ou o pedido de apoio para obras. Um autarca tem mesmo de ser pau para toda a obra.

Edição de 07.08.2013 | Sociedade
Pedidos de emprego e ajuda para fazer obras em casa são os pedidos de ajuda que mais surgem, seja por email, carta ou no atendimento que o presidente da Câmara de Alpiarça faz às segundas-feiras. Em relação a casos de fome e ajuda financeira, Mário Pereira explica que é uma situação que não surge directamente na autarquia, embora receba alguns pedidos através da internet.Nessas alturas, a situação é reencaminhada para a rede social do concelho [várias instituições de apoio social que trabalham em conjunto com a autarquia para combater situações de fome e precariedade] que está bem estruturada e assim que algum caso é detectado é encaminhado para os serviços e definido o apoio que se pode prestar.“Temos consciência que a situação económica e social se tem vindo a degradar e que cada vez existem mais situações de desemprego, precariedade e pobreza em famílias que há pouco tempo estavam salvaguardadas dessas situações”, refere o autarca comunista.Mário Pereira defende que as autarquias têm uma margem relativamente curta nas áreas do desemprego e fome e que não podem ter a pretensão de conseguir resolver um problema que cabe ao Governo. “Tentamos atenuar os problemas e responder às situações mais urgentes”, realça, admitindo que são as áreas onde se sentem mais impotentes.Todas as semanas tem munícipes a procurarem-no no dia do atendimento. Discussões sobre assuntos particulares entre vizinhos é o que aparece mais. Apesar de não ser competência do município, Mário Pereira encaminha os assuntos para os serviços para saber se é possível a câmara fazer alguma coisa para ajudar.Também os jovens procuram a autarquia na esperança de encontrar emprego. O presidente da Câmara de Alpiarça conta que são vários os jovens licenciados, de vários pontos do país, que enviam candidaturas espontâneas na procura de emprego. Através de estágios conseguem encontrar solução para alguns jovens do concelho mas é uma situação difícil uma vez que a autarquia não tem autonomia para contratar pessoal.O outro lado das reuniões de câmaraO MIRANTE foi espreitar como é preparada uma reunião depois de muitos anos a comparecer apenas na hora da sessãoUma reunião de câmara é muito mais do que um encontro periódico entre todo o executivo municipal. O cidadão comum pode ter a ideia que é uma reunião chata onde maioria e oposição trocam acusações políticas que não interessam a ninguém. É verdade que os adversários políticos costumam trocar ‘galhardetes’ que não resolvem em nada os problemas dos cidadãos. Mas também é verdade que é nas reuniões camarárias que se discutem e tomam decisões que vão influenciar os destinos das populações de cada concelho.O MIRANTE foi espreitar como é preparada uma reunião depois de muitos anos a comparecer apenas na hora da sessão. Na quarta-feira, 31 de Julho, estivemos nos paços do concelho de Alpiarça, onde assistimos aos preparativos da sessão que estava marcada para as 17h30. Chegamos por volta das 17h00 e encontramos um ambiente calmo e descontraído, já com poucos funcionários no edifício.No segundo andar, no gabinete do presidente, Mário Pereira (CDU) e os dois vereadores da maioria, Carlos Jorge e João Pedro Arraiolos, conversam calmamente. Em cima da secretária do presidente está a ordem de trabalhos e os assuntos que vão ser discutidos na reunião. O número dois, Carlos Jorge, traz um assunto de última hora para entrar na ordem de trabalhos e que, apesar de ser simples, é preciso analisar para decidir que posição tomar.Em conjunto acertam ideias e detalhes. O objectivo é estarem em sintonia na altura de discutirem os assuntos com a oposição. Nesta pequena reunião improvisada é também altura de tentarem antecipar intervenções, propostas ou críticas que possam surgir por parte das vereadoras socialistas. “É sempre tudo imprevisível e temos que estar preparados para respondermos às questões que podem surgir”, explica Mário Pereira a O MIRANTE.A revisão dos documentos que foram despachados para a reunião dessa tarde foi feita de manhã. À medida que os assuntos vão surgindo, durante as duas semanas de intervalo entre as reuniões camarárias, estes vão sendo discutidos com os técnicos dos vários departamentos, nomeadamente obras, gestão financeira, acção social e educação.As vereadoras do Partido Socialista (PS), Sónia Sanfona e Regina Ferreira, chegam com meia de atraso, por volta das 18h00, e assim que entram no edifício dos paços do concelho dirigem-se para o auditório onde se realiza a reunião de câmara. Apesar de terem um gabinete à sua disposição, as vereadoras não o utilizam, pelo menos nos dias das reuniões. Um funcionário informa o presidente e os vereadores da presença das vereadoras da oposição. Estes descem e dirigem-se ao auditório.Depois dos cumprimentos iniciais entre executivo e oposição, o presidente dá início à reunião. As actas de reuniões anteriores são aprovadas depois de corrigidos erros e gralhas. Cabe a Maria do Céu Augusto, responsável do departamento financeiro, redigir a acta desta reunião. A reunião começa com as vereadoras da oposição a solicitarem esclarecimentos sobre alguns assuntos. Naquele dia Regina Ferreira questionou o executivo sobre a data de reabertura do parque de campismo e a situação da morte de peixes na barragem dos Patudos. O presidente prestou os esclarecimentos sobre ambos os assuntos. No entanto, foi a construção do muro exterior na Casa-Museu dos Patudos, um dos pontos da ordem de trabalhos, que mais discussão motivou entre o presidente e Sónia Sanfona.A vereadora socialista voltou a discordar da altura do muro e acusou a maioria de nunca ter pensado em baixar o muro. Mário Pereira respondeu acaloradamente dizendo que a proposta foi aprovada, na altura, pela vereadora Regina Ferreira e que seguiram as indicações dos técnicos responsáveis pela obra.Nesse dia foram levados à reunião 23 pontos para serem debatidos, de onde se destaca o relatório sobre a situação da construção do muro exterior na Casa-Museu dos Patudos; a prorrogação da data de conclusão da obra de requalificação do arranjo dos espaços exteriores da Casa dos Patudos; pequenas alterações de contabilidade para modificar o Orçamento e as Grandes Opções do Plano; e vários agradecimentos que chegaram por correio ou email à Câmara de Alpiarça nas últimas duas semanas.Cerca de duas horas e meia depois termina a reunião. No final a conversa de circunstância é animada e nem parece que momentos antes o ambiente aqueceu com os adversários políticos a travarem-se de razões por causa da altura de um muro.
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