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Eusébio foi muito importante na divulgação do União de Tomar

Presidente do clube ribatejano e Faustino, capitão de equipa na altura, dizem que o futebolista falecido, dia 5 de Janeiro, foi uma figura que ajudou a dar projecção ao clube ribatejano.

O presidente do União de Tomar, Abel Bento, e Faustino o capitão de equipa na altura, recordaram este domingo que o antigo futebolista Eusébio foi um dos grandes responsáveis pelo engrandecimento do clube ribatejano. “Não é do meu tempo, mas como tomarense, como presidente do União de Tomar e como benfiquista, sinto esta grande perda, porque, apesar de ter sido no final da carreira, tornou-se numa figura do clube, uma figura muito importante na sua divulgação e no seu engrandecimento”, afirmou à agência Lusa Abel Bento.

Edição de 08.01.2014 | Desporto
Na altura não era só o Eusébio, porque veio também o Simões com ele. Mas o Eusébio ainda hoje é uma grande referência para todos os tomarenses, que se orgulham de poder dizer que ele vestiu a camisola do União de Tomar, o único clube do distrito que jogou no primeiro escalão do futebol nacional”, acrescentou o dirigente tomarense.Faustino recorda jovialidade de Eusébio no seio da equipa tomarenseO ex-jogador do União de Tomar, Faustino, e capitão de equipa na altura em que Eusébio alinhou na equipa tomarense, recordou a sua jovialidade mesmo no final da sua carreira. Depois de passar pelo New Jersey Americans, Eusébio foi convidado pelo presidente do União de Tomar no seu último ano de futebolista.“Na altura, o presidente era o Fernando Mendes, um grande benfiquista. Convidou Eusébio e Simões para virem para Tomar, depois de terem jogado nos Estados Unidos, e Eusébio aceitou sem problema”, adiantou Faustino.O ex-jogador lembrou ainda um jogo, em Vieira de Leiria, onde Eusébio fez esquecer a sua idade. “Um colega tinha-se lesionado e ele ofereceu-se logo para jogar a trinco. Num campo ‘pelado’, chovia torrencialmente e Eusébio cortou lances no chão, como se fosse um rapazinho novo. Foi o responsável por termos empatado. Para mim, foi um dos melhores jogos dele”, recordou.Faustino também lembrou que Eusébio, por ser “um jogador com experiência, já só corria a 20 quilómetros por hora, mas não perdoava quando tinha a bola nos pés, sobretudo nos lances de bola parada”. Outra recordação que Faustino retém até hoje relaciona-se com o joelho de Eusébio. “Sempre que fazia um esforço maior o joelho saía do sítio. Assim, quando entrava num lance dividido com algum colega todos lhe gritavam: ‘olha o joelho Eusébio’. E ele colocava-o novamente no sítio”, contou, salientando que o Pantera Negra não era homem de se queixar.Uma estratégia para ter sucesso nas bolas paradas era “deixar a barreira formar-se primeiro e só depois colocar a bola”. Assim, “desviava-a um bocadinho para o lado e conseguia rematar evitando a barreira e fazendo golo”.A amizade entre Faustino e Eusébio foi grande. Além de colegas, Faustino também treinou o “Pantera Negra”. “O treinador na altura saiu e eu fiquei no seu lugar, sendo também jogador. Era eu que o levava sempre de carro até ao Entroncamento para ele apanhar o comboio para Lisboa.”A palavra estrela não estava no dicionário do “Pantera Negra”. “Não era o ‘rei’ como lhe chamavam. Era a pessoa mais simples que existia. Era impossível falar de estrelato e de Eusébio. Era das pessoas mais humildes que conheci. Amigo de todos os colegas. Não deve existir uma única pessoa que possa dizer mal dele”, salientou o ex-jogador.Faustino soube da morte de Eusébio domingo de manhã, quando estava num jogo das camadas jovens. “Não há palavras para descrever a tristeza. Todos os homens do futebol, independentemente do clube, devem estar a sentir-se tristes. O Eusébio era uma pessoa incrível. O melhor jogador do Mundo de 1966. Nem Pelé”.Eusébio da Silva Ferreira morreu dia 5 de Janeiro às 04h30 vítima de paragem cardiorrespiratória.O “Pantera Negra” ganhou a Bola de Ouro em 1965 e conquistou duas Botas de Ouro (1967/68 e 1972/73). No Mundial de Inglaterra de 1966 foi considerado o melhor jogador da competição, na qual foi o melhor marcador, com nove golos.Na mesma competição, Portugal terminou no terceiro lugar, a melhor classificação de sempre da selecção lusa em Mundiais.Fernando Mendes o presidente que trouxe Eusébio para TomarFernando Mendes era o presidente do clube e recordou, na edição de O MIRANTE de 5 de Janeiro de 2012, a reunião em Lisboa onde acertou o contrato com Eusébio e os ordenados pagos com cheques da sua conta pessoal. Na altura, o futebolista auferiu 50 ou 60 contos por mês e jogou no União de Tomar entre Dezembro de 1977 e Março de 1978. Fez nove jogos e marcou 3 golos no campeonato nacional da segunda divisão. “Combinámos um encontro em Lisboa no escritório da pessoa que tratava das coisas do Eusébio, que era o sr. dr. Paiva das Neves, e conversámos sobre a possível vinda do Eusébio para cá uns tempos”. O “Pantera Negra” aceitou o desafio, mas impôs uma condição. Fernando Mendes revelou: “O Eusébio disse-me: atenção sr. Fernando, quem me passa os cheques é o senhor e os cheques são seus. Ele não queria cheques do clube”.Dada essa garantia ficou fechado o negócio. “Eusébio ganhava nesse tempo à volta de 50 ou 60 contos por mês. Passei os cheques para cada mês, que foram respeitados e pagos integralmente por mim. Praticamente aguentei aquilo tudo sozinho”. Nesse processo reparte os louros com José Júlio Garcia, “homem incansável” que colaborou na contratação e que tinha um grande amor ao União de Tomar. Durante a sua passagem por Tomar, Eusébio pouca vida fez na cidade para além de alguns treinos e jogos. Vinha de Lisboa e regressava no mesmo dia com António Simões, embora tivesse um quarto num hotel para poder utilizar quando quisesse. E como era o relacionamento com Eusébio? “Ele era o rei do futebol e eu era um dirigente de um clube pequeno”, diz com humildade. Mas Eusébio não tinha tiques de vedeta, assegura. “Dentro do balneário era uma família, davam-se todos bem e eram todos respeitados da mesma maneira”.

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