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Jovens mantêm viva a tradição do teatro em Ereira

Jovens mantêm viva a tradição do teatro em Ereira

Grupo de Teatro Amador Juvenil Ereirense estreou na sexta-feira uma nova peça e mostrou o que vale em palco perante um público entusiasta.

Edição de 15.01.2014 | Cultura e Lazer
Há quatro anos que o grupo de Teatro Amador Juvenil Ereirense (TAJE) junta jovens do concelho do Cartaxo. Todos os sábados é dia de aprender um pouco mais sobre a arte com Maria do Céu Clemente, que veste a pele de encenadora neste projecto. Os ensaios continuam a manter estes aprendizes de actores entusiasmados como se fosse o primeiro dia. Na sexta-feira, 10 de Janeiro apresentaram a peça “Aqui há fantasmas”, com texto de Henrique Santana (1924-1995), e levaram mais de uma centena de espectadores ao rubro na Casa do Povo de Ereira. As gargalhadas e os aplausos de pé não faltaram numa noite especial para todos os elementos.O MIRANTE encontrou-se com os jovens actores na véspera de estreia. O entusiasmo era visível. Ultimava-se o cenário, pintavam-se elementos que o compõem e era ainda noite de ensaio geral. Rita Alves, 18 anos, é do Cartaxo e foi um dos primeiros sete elementos a integrar o TAJE. Actualmente estuda Teatro e Educação em Coimbra, mas o gosto pela arte fá-la vir semanalmente a Ereira onde não falta aos ensaios. Foi através do ballett que teve a sua primeira ligação com o palco e os pais sempre lhe incutiram o gosto pelo teatro. Tem Rita Ribeiro como actriz de eleição mas não ambiciona ser actriz. O seu sonho passa por dar aulas de teatro a crianças ou seniores. “Aqui ganhamos mais confiança, capacidade de improvisar e também aprendemos a lidar com o stress e adrenalina do palco”, afirmou.A tradição do teatro na freguesia remonta aos anos 1940. O público de Ereira é apaixonado pela arte da representação e em noites de estreia a Casa do Povo da terra enche. Hoje são os mais jovens a manter a tradição viva. Há quatro anos, de forma informal, a encenadora do TAJE, Maria do Céu Clemente, percebendo que havia um grupo de jovens com interesse pela arte decidiu avançar com o projecto depois de estar afastada cerca de nove anos dos palcos. Começaram sete jovens, mas rapidamente o número foi aumentando. Hoje são 21 os aprendizes de actores com idades entre os 9 e os 20 anos. Estão agregados como secção na Casa do Povo da Ereira, já estão aptos a receber subsídios, mas a escassez de meios obriga-os a recorrer à imaginação para angariar fundos. Nos espectáculos os bilhetes são gratuitos e o público pode dar um contributo monetário, se assim o entender.Francisca Galhardo, de Vila Chã de Ourique, começou com 9 anos no TAJE. Hoje, com 14, reconhece que aprendeu muito ao longo destes últimos anos mas não pretende seguir teatro de forma profissional. “Quando vou para cima do palco entro na personagem e esqueço o mundo, É uma maneira de fugir a tudo, deixo de ser a Francisca”, explica, sobre a sensação de estar em palco. Nuno Franco partilha do mesmo espírito e tem orgulho em representar a terra onde vive. Lembra a sua primeira ida à revista com 8 anos, género que até hoje é o seu preferido. “Gosto de estar aqui na Ereira, representar e dar vida à terra”, afirma, garantindo que se quer manter no grupo por muitos anos.Tudo começou com uma peça de NatalO TAJE começou em 2009 com uma pequena peça natalícia. Em 2012 o grupo aventurou-se na primeira revista à portuguesa, “Rir é o melhor remédio”. Foi a partir daí que o gosto por fazer rir e proporcionar momentos descontraídos ao público foi aumentando. Para a maioria, é este o género com que mais se identificam, mas estão sempre dispostos a novas aventuras. Maria do Céu Clemente lembra que muitos dos jovens já começam a ficar conhecidos entre o público pelo nome de personagens quando são abordados na rua. “Há aqui jovens com capacidades inatas, há jovens muito trabalhadores que não tendo tantas capacidades como os outros trabalham muito e investem e ficam praticamente em igualdade de circunstâncias”, garante a encenadora visivelmente orgulhosa. A comédia é o género preferido de Mariana Mota, 18 anos. A jovem vive em Ereira e confessa que sempre teve o gosto pela representação. “Gosto do teatro, mas não quero fazer do teatro a minha vida profissional, mas gostava de continuar como um hobby”. Sem truques para memorizar os textos, João Pedro Mota, 14 anos, da Ereira, é um dos rapazes que integra o TAJE. Mesmo em minoria, os rapazes fazem ouvir a sua voz. Quer ser engenheiro agrónomo, mas tem pretensões de continuar a subir ao palco de forma recreativa. Bernardo Durão, 11 anos, um dos caçulas do TAJE, é um sportinguista apaixonado pelo futebol, mas que também se rendeu ao teatro. Rita Durão, 15 anos, é a irmã de Bernardo e foi ela que o incentivou a entrar no grupo.Tem nome de actriz, chama-se Beatriz Costa. Uma apaixonada pela representação que confessa não ter superstições quando entra em palco. Fecha os olhos durante uns segundos e está pronta para brilhar, mas lembra que um dos pontos altos é o grito de guerra que pronunciam no final de cada peça. O TAJE é já a “segunda família” destes jovens, palavras ditas por Carolina Silva, 16 anos, de Ereira, mas que se estendem a todos os elementos. Na noite em que Cláudia Antunes, 18 anos, se despediu do TAJE, a estreia de “Aqui há fantasmas” foi um sucesso. Ainda sem datas definidas, a peça voltará a subir ao palco em breve.Colectividades de Ereira partilham espaço na Casa do PovoA Casa do Povo da Ereira nasceu em 1941. À época era um local dedicado à agricultura e servia as necessidades médicas dos seus associados. Hoje a Casa do Povo de Ereira foge ao modelo individualista ainda existente em muitas terras e agrega num só espaço as várias colectividades existentes. Para além do TAJE, utilizam também o espaço o Rancho Folclórico, o Grupo Desportivo, a Associação de Caçadores e a Sociedade Filarmónica Ereirense. O espaço do pavilhão multiusos é ainda utilizado pelo Centro Social Paroquial da Ereira, pela escola do 1º ciclo e pelas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC).
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