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Longe e perto

Edição de 12.03.2014 | Opinião
O tema das alterações climáticas lê-se por todo o lado. Mas mais do que ler também se sente e alguns de nós não acreditam nisso.É um daqueles assuntos que se prestam a que cada um, na sua boa terra, pense que nada tem a ver com ele.Como explico à minha mãe, com quase 80 anos, que isto também lhe deve importar?Isto a propósito da passagem pelo Porto, há umas semanas, onde deu uma conferência, de Hubert Reeves, o eminente cientista, cosmólogo, de 81 anos, que foi diretor do Centro Nacional da Investigação Científica (França). Autor de alguns dos mais emblemáticos livros sobre ciência, veio a Portugal lançar a sua última obra, “Onde Cresce o Perigo Surge Também a Salvação”. Será?Numa entrevista a um jornal, o cientista afirmou não acreditar “que os seres humanos possam exterminar a vida. Ela é muito robusta, muito mais adaptável do que pensávamos antes. Encontramos sempre novas formas de vida que são muito mais resistentes do que pensávamos e por isso ela continuará.” Todavia também afirma que se a temperatura média subir como se prevê, a vida, tal como a conhecemos, se vai tornar muito difícil.O certo são dados recentemente conhecidos. A análise climatológica global para o mês de janeiro de 2014 revela que o hemisfério sul apresentou as temperaturas terrestres mais altas para janeiro desde que se iniciaram os registos, em 1880. No Hemisfério Norte este foi o janeiro mais quente desde 2007 e o quarto mais quente desde que os registos começaram. Já o escrevi nesta página algumas vezes mas é importante que se insista: cada um tem muito a fazer, localmente, seja nas zonas ribeirinhas, nas florestas, ou no meio urbano, há pequenas ações que devem ser levadas a cabo.As consequências de eventos climáticos extremos ocorridos nos últimos tempos têm sido as mais diversas – designadamente, têm-se agravado os riscos ambientais, bem como as suas implicações nos mais variados segmentos da sociedade, em especial algumas epidemias e problemas de saúde, o que tem como consequência enfatizar a relação entre riscos ambientais e seus possíveis impactos na saúde humana. As novas condições ambientais exigem da população novos estilos de vida, como novas práticas quotidianas, novos métodos de trabalho (designadamente na agricultura) e novos hábitos alimentares. A maior dificuldade no acesso a água potável poderá ser uma das consequências mais significativas e transversais. Isto é, aquilo que parece que é lá longe (alterações climáticas), e que nada tem a ver connosco, é bem perto e está a bater-nos à porta. Quanto mais cedo contarmos com esta visita, melhor.Carlos A. Cupetocupeto@uevora.pt Professor na Universidade de Évora

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