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Edifício para deficientes em Azambuja está fechado à espera de apoios da Segurança Social

Instalações são das mais modernas da região com lar residencial para 12 utentes e custaram mais de um milhão

Quando o projecto avançou, há três anos, a Segurança Social comprometeu-se com a instituição a criar os acordos mas até ao momento não houve disponibilidade para apoiar a Cerci Flor da Vida.

Edição de 16.04.2014 | Sociedade
A Cerci Flor da Vida de Azambuja, instituição que apoia pessoas com deficiência, tem um novo edifício construído na Quinta da Mina, que custou um milhão e 55 mil euros, mas que ainda não funciona por falta de acordos com a Segurança Social. Quando o projecto avançou há três anos a segurança social comprometeu-se a financiar parte das despesas da instituição com os utentes, o que não aconteceu até ao momento. Em causa estão acordos para cerca de quatro dezenas de utentes em centro de actividades ocupacionais e para 12 em valência de lar residencial. O presidente da Cerci de Azambuja, Carlos Neto, está apreensivo, realçando que até agora a Segurança Social tem dito que vai fazer os acordos mas não se sabe quando. “Esperemos que cheguem o mais depressa possível para podermos abrir portas e começarmos a gerar retorno financeiro deste investimento”, explica o dirigente.Colocar o edifício em funcionamento é a única maneira de realizar dinheiro para o pagar os 300 mil euros que a instituição teve que pedir emprestado à banca para pagar a sua parte da obra. Que foi financiada em 791 mil euros por fundos comunitários. “Todos os meses temos de pagar cinco mil euros de prestação. Isso exige uma gestão muito cuidada”, explica Carlos Neto. Os acordos da Segurança Social permitirão à instituição de Azambuja receber mensalmente do Estado cerca de 800 euros por cada utente da residência e 400 euros por cada utente das actividades ocupacionais. O MIRANTE contactou a Segurança Social sobre este assunto mas nenhuma resposta nos foi enviada até ao fecho desta edição.Com o edifício ainda fechado a instituição já tem as vagas esgotadas e já existe lista de espera. Carlos Neto está entusiasmado com o novo edifício, que vem substituir instalações provisórias que funcionavam há 10 anos e não tinham condições. O novo edifício é actualmente um dos mais modernos da região no apoio à deficiência. Tem arquivo, salas polivalentes para os técnicos e direcção, salas de terapias, salas de estar, salas de actividades, tanque terapêutico (semelhante a piscina), salas de fisioterapia, snoezelen (estimulação sensorial), refeitório, cozinha, salão multiusos, rampas de acesso, elevador, salas para uma psicóloga e um médico. Os quartos do lar estão equipados com câmaras de vigilância e mecanismos de alerta sonoro e visual em caso de necessidade. Cada quarto tem também controlo de temperatura. É intenção da direcção da associação abrir a utilização do tanque terapêutico a toda a comunidade, mesmo aquela que não é portadora de deficiência. A Cerci Flor da Vida foi criada em 1981 e emprega actualmente 60 funcionários. A data de inauguração do equipamento continua a ser uma incógnita.«Não seremos uma nova Cercipóvoa»O presidente da Cerci Flor da Vida de Azambuja, Carlos Neto, admite que o novo edifício vai fazer disparar os custos mensais da instituição mas garante que as contas não vão descarrilar. E diz mesmo que a associação não será como a vizinha Cercipóvoa, de Póvoa de Santa Iria, que depois de construir a nova sede se viu mergulhada num buraco financeiro de um milhão e 700 mil euros.“Antecipámos esta crise. Não demos um passo maior que a perna. Quando começámos este projecto pensámos bem e fizemos as contas. Vamos fazer uma gestão muito cuidadosa e virada para a poupança. Teremos o nosso empréstimo pago em oito anos. A grande força é dos nossos técnicos, que não recebem um tostão de aumento há quatro anos. Mas é preferível isso e manter os postos de trabalho”, explica.Carlos Neto foi reeleito na última semana para mais dois anos de mandato à frente da instituição. Diz que o objectivo para os próximos dois anos será consolidar o que está feito e encontrar novas formas de rentabilizar os espaços existentes.

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