Classificadas ruínas da “Casa dos Mouros” em Santarém
O bem patrimonial, desconhecido de muita gente, localiza-se na encosta de São Mateus, atrás do antigo Teatro Rosa Damasceno, em zona de barreiras e em terrenos instáveis.
O Governo classificou, em portaria publicada no dia 29 de Abril em Diário da República, as ruínas da que é conhecida popularmente como “Casa dos Mouros”, em Santarém, como monumento de interesse público.A classificação tem em conta o valor “estético, técnico e material”, a concepção arquitectónica e paisagística e a importância para a investigação histórica e científica de umas ruínas que reconhece serem de “difícil caracterização” mas que são, “sem dúvida, testemunho de grande antiguidade e interesse patrimonial”.O local foi identificado no passado como “casa de fresco do palácio quinhentista dos Condes de Óbidos” e mais recentemente como “vestígios de uma capela e albergaria de origem quinhentista, relacionada com a antiga igreja de S. Martinho ou como resquício de um templo do culto esotérico de Mitra, dos séculos II-III” da nossa era, refere a portaria.A designação como “Casa dos Mouros” revela “desconhecimento secular da sua remota fundação e da sua função original, bem como o cruzamento entre a sua história e a história do planalto de Marvila e da vizinha zona do Alporão, cuja ocupação muçulmana constitui parte importante da história de Santarém”, acrescenta.O historiador Luís Mata, técnico da Câmara Municipal de Santarém, disse à Lusa esperar que a classificação permita dar mais atenção a um vestígio que merece uma investigação mais aprofundada. As ruínas encontram-se numa zona de difícil acesso, estando parcialmente cobertas por vegetação, constituindo o último de um conjunto de imóveis do concelho que aguardavam classificação.Sublinhando que apenas existe uma pequena publicação sobre o que popularmente ficou designado como “Casa dos Mouros”, da autoria dos historiadores Ângela Beirante e Vítor Serrão, Luís Mata gostaria de ver autorizado “um estudo mais aprofundado”, o que reconhece não ser fácil até pela localização do monumento, na encosta de S. Mateus (atrás do antigo Teatro Rosa Damasceno), em zona de barreiras e em terrenos instáveis.Luís Mata disse estar convencido de que originalmente o edifício terá sido um templo de origem pagã, tendo em conta que a estrutura não se mostra compatível com uma utilização originária de um templo cristão.Designado por alguns historiadores como “Albergaria de S. Martinho”, não está “absolutamente comprovado” que tenha tido essa utilização, pensando-se que terá servido como Casa de Repouso, ou Casa de Fresco, dos Condes de Óbidos, que residiam na Rua de Santa Margarida (no topo da encosta onde se situa), afirmou.Luís Mata adiantou ser “muito possível” que a construção tenha origem no século II ou III, referindo os achados encontrados nas últimas escavações realizadas no antigo palácio dos Condes Anacoreta (frente ao antigo Teatro Rosa Damasceno), que dão conta da presença de um cemitério romano e de um cemitério visigodo, indiciando uma ocupação pré-cristã da zona.
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