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Libertário Serafim das Neves

Edição de 11.06.2014 | E-mails do outro mundo
O vereador do PCP na Câmara de Tomar, Bruno Graça, diz que a coligação que o seu partido fez com o PS está em “abalo permanente”. Penso que a declaração não irá surpreender ninguém. Por aqueles lados já há muito tempo que se sabe dos abalos telúricos que ocorrem quando está por perto o actual chefe de gabinete e companheiro da presidente da câmara, Luís Ferreira. Eu próprio, que moro longe, sinto-me todo a tremer de riso de cada vez que o senhor aparece com uma das suas ideias...e elas são tantas, tantas, meu Deus! Umas senhora investigadora foi a Vila Franca de Xira anunciar que os jornalistas são uns totós porque não criam blogues para divulgar as notícias que escrevem mas que são censuradas nos jornais onde trabalham. Uma outra, que foi com ela, disse que não consegue ler uma notícia que não tenha sido censurada. Depois de ler o que ambas disseram fiquei com dúvidas. A notícia terá sido censurada? Terei que esperar pela criação de um blogue do jornalista que a escreveu para saber que parte é que foi censurada?Em relação aos jornalistas não sei se são censurados ou não. Mas em relação aos restantes cidadãos digo aqui, sem receio de errar, que não existe censura. Basta ouvir o que se diz por essas ruas e supermercados fora. É de carvalho para cima. A liberdade de expressão é total. Se calhar eu ir a conduzir e decido respeitar os limites de velocidade, os condutores que vêm atrás de mim chamam-me tudo e mais alguma coisa, com todas as letras e sem constrangimentos. É a liberdade de expressão na máxima potência. Um dia destes, no pleno uso da minha liberdade de expressão, disse a um jovem que tinha atirado um maço de tabaco vazio para o passeio, que ele era um porco. Ele usou a liberdade de se exprimir de outra forma e deu-me um murro nas ventas. Tudo se passou em público e até havia um agente da autoridade por perto, mas ninguém censurou ninguém. Nunca vi um país com tanta liberdade de expressão e por isso duvido das conclusões das investigadoras. Um dia destes uma criança que estava a andar de bicicleta passou por mim e chamou-me mister bronco. As aulas de inglês na primária ainda nem começaram e já estão a dar bons resultados. Uma velhinha simpática ouvi eu chamarem alcagoita seca, seja lá o que isso for. Não posso repetir aqui os nomes que chamam ao primeiro-ministro nos cafés e nas manifestações. Os árbitros são chamados pelos nomes que merecem. O mais suave é camelo de merda. Não há autocensura. Não há censura. As senhoras investigadoras não estão a investigar como deve ser. Portugal deve ser o país onde há menos censura em todo o Mundo. Não precisamos de blogues de jornalistas para nada. Nos jornais e televisões é só artistas e cantoras com tudo ao léu. Basta ver a casa dos segredos para constatar que a censura é uma invenção.Há jornalistas que se desunham para contar pormenores da lesão do Ronaldo. Para desvendar o nome da cabeleireira do Raul Meireles. Para descobrir as nádegas que atormentam o presidente do Sporting. Para revelarem a última inovação do chefe de gabinete da presidente da Câmara de Tomar. Para contarem quantos anos tinha o Quim Barreiros quando foi pela primeira vez às meninas. O problema não é a censura. O problema é a nossa mania de não acreditarmos nas notícias verdadeiras. Vê lá tu que há pessoas que, por mais que se lhes diga, não acreditam que o PS teve uma vitória estrondosa nas eleições europeias, que o António Rodrigues foi um excelente presidente da Câmara de Torres Novas, que sem o Moita Flores Santarém ainda estaria na pré-história. Esse é que é o verdadeiro problema. Um abraço incensurávelManuel Serra d’Aire

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