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Mundo rural

Edição de 02.07.2014 | Opinião
Recentemente, na boa terra de Oleiros, decorreu o 1º Congresso Nacional de Turismo Rural. O turismo de baixa intensidade para turistas exigentes que procuram produtos de qualidade é a grande aposta do campo. Oleiros não terá sido escolhida por acaso. Constitui um excelente exemplo do “muito bom” que se faz por esse país fora. Não se trata apenas de bons exemplos, há uma clara estratégia que é concretizada ano após ano. É verdade, há um país real com um enorme potencial, um território de imensa qualidade, com um património natural ímpar onde é possível viver feliz.Não só o atual contexto nacional, como as grandes tendências globais (crise alimentar, saturação das cidades, desemprego…), cada vez mais, vão-nos empurrar para o campo. O regresso às origens é incontornável. Provavelmente, Portugal é dos países ocidentais onde isso pode acontecer com mais sucesso, em Oleiros isto prova-se. O caminho não é fácil, além de estratégias locais diferenciadas é necessária persistência e trabalho em parceria. Nenhum território conseguirá ganhar alguma relevância nesta matéria isoladamente. É necessário olhar para o lado e ganhar escala através de sinergias conjuntas. Também nesta matéria Oleiros é um bom exemplo, integra a Naturtejo que há muito, consegue, passo a passo, estruturar uma oferta que vai muito para além dos produtos turísticos habituais. Um bom exemplo é o Geopark que não pára de se consolidar e “crescer”.O Geopark Naturtejo foi o primeiro Geoparque com o selo da UNESCO a surgir em Portugal, integrado na Rede Europeia e Global de Geoparks. Este destino privilegiado de Turismo de Natureza procura promover os laços de comunhão entre a cultura e a paisagem. Na aparente monotonia da planura, quebrada apenas pelo agreste das suas montanhas residuais e pela profundidade dos seus vales fluviais encaixados, o Geopark Naturtejo conduz à descoberta da paisagem que caracteriza os 4.600 Km2 do seu território, todo classificado. Este território oferece no seu conjunto um vasto e riquíssimo Património Natural, Histórico e Cultural - que vai desde o Parque Natural do Tejo Internacional e Serra de S. Mamede, aos sítios Rede Natura da Serra da Gardunha. Relata-se uma unidade milenar entre as infundidas práticas humanas e o ambiente inspirado, até ao vasto e riquíssimo património cultural que as pessoas que aqui vivem, transportam por iguais heranças, através dos usos, costumes e tradições, que se refletem nas práticas do dia-a-dia, na gastronomia, no artesanato, nos produtos regionais, na música, práticas religiosas, entre muitos outros eventos e acontecimentos ao longo do ciclo anual. Com toda esta dimensão, aqui, o limite é o céu, isto é, a vontade e a imaginação do turista.Carlos A. Cupetocupeto@uevora.pt Professor na Universidade de Évora

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