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Campinagem é uma arte condenada a desaparecer

Campinagem é uma arte condenada a desaparecer

Bernardo Afonso, 65 anos, é o campino homenageado este ano em Vila Franca de Xira
Edição de 02.07.2014 | Suplemento Colete Encarnado
Trabalhar como campino exige sacrifícios que a maioria dos jovens não quer. Os campinos mais novos a trabalhar no campo têm mais de 40 anos, diz Bernardo Afonso, 65 anos, o campino que este ano será homenageado nas festas do Colete Encarnado em Vila Franca de Xira. Os jovens não se aguentam no campo mais do que uma semana. O campino antevê que a campinagem é uma arte condenada a desaparecer em pouco tempo. Bernardo Afonso conta que a campinagem “aprende-se com muito trabalho e sofrimento”, lamentando que os jovens já não queiram fazer sacrifícios para ganhar o pão a guardar gado. “E hoje até há mais facilidades porque grande parte do trabalho é feito com tractores e jipes. Nos tractores não se correm riscos. Há poucos anos os toiros eram levados a pé ao longo de cinco quilómetros”, recorda o campino. Bernardo Afonso nasceu no Monte Bate Orelhas e começou a guardar gado na casa Conde Cabral. Já reformado, continua a olhar pelo espaço e a viver no campo, na Herdade de Pancas, Samora Correia, Benavente. Diz, com ironia, que se os patrões lhe dessem a possibilidade de comprar quatro metros de terra na herdade o faria para abrir uma cova para ser sepultado quando morrer. É filho de campino. Tem nove irmãos, é de berço humilde e por isso começou cedo a trabalhar. Chegou a maioral chefe da casa Conde Cabral. Na altura era o mais jovem de 12 campinos, incluindo o pai, então já sexagenário. O medo foi sempre uma presença constante no seu trabalho. “A entrada de toiros em Vila Franca, com cinco toiros em pontas, com os campinos atrás com cavalos que só sabem correr a direito, é ou não é de valor?”, enaltece. Para Bernardo Afonso “todos os campinos gostam de participar no Colete Encarnado” porque Vila Franca é “uma terra maravilhosa”. Bernardo confessa que em Vila Franca de Xira ainda existem esperas feitas com a “verdade dos toiros”, o que na festa brava é algo cada vez mais raro.
Campinagem é uma arte condenada a desaparecer

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