uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
“O associativismo é uma doença saudável”

“O associativismo é uma doença saudável”

João Manuel Niza, 45 anos, dirigente da Sociedade Recreativa da Granja, Vialonga

Desde os 14 anos que João Manuel Niza está ligado à Sociedade Recreativa da Granja, na freguesia de Vialonga, Vila Franca de Xira. Confessa que está viciado no associativismo que considera “uma doença saudável”. Já pertenceu a uma confraria enófila onde o vinho não era cuspido mas bebido, para ser provado “à séria”. Gosta de passar férias na praia com a família. O seu prazer secreto é ver filmes, em casa, no escuro, quando já toda a gente dorme. Levanta-se às seis e vinte da manhã para trabalhar numa empresa do ramo das peças para automóveis e gosta do que faz.

Sou doente pela Sociedade Recreativa da Granja (Vialonga). Houve um ano em que estive afastado e senti-me mal. Gosto muito de estar aqui, com os amigos, trazer pessoas à colectividade e ver este movimento que temos. O associativismo é uma doença mas é uma doença saudável. Não sei se sou doente por ter nascido numa localidade como esta, pequena, em que todos nos juntávamos ao final do dia na associação, se é por ter grandes amigos que fiz aqui e na freguesia de Vialonga. A verdade é que gosto e faz-me bem vir para aqui. Ajuda muito a descomprimir do dia-a-dia. A certa altura pertenci a uma confraria enófila mas em vez de provar o vinho e deitar fora, bebíamos tudo para não desperdiçar. Foi bom enquanto durou. Andávamos em provas e em cursos mas depois o grupo dividiu-se porque houve pessoas que foram trabalhar para outros locais. No início éramos quatro amigos, almoçávamos todos juntos e começámos a tentar perceber qual a diferença entre um vinho do Douro ou do Alentejo. Fomos conhecendo fornecedores de vinhos e alguns até nos convidaram para ir às suas adegas fazer provas. No dia-a-dia sou gestor de peças do ramo automóvel. O meu primeiro emprego foi nessa actividade e fiquei. Estou há 22 anos na empresa onde trabalho. Gosto muito da profissão que tenho mas não deixo tudo para trás por um automóvel. Ainda me posso dar ao luxo de me levantar de manhã e ficar contente porque vou trabalhar e gosto muito do que faço. O ramo automóvel foi logo a minha primeira escolha. Todos os fins-de-semana e férias ia para a oficina do meu cunhado trabalhar. Sou da Granja e vivo na Quinta das Índias, que fica muito perto da colectividade. O trabalho associativo faz com que me distraia da actividade profissional que é desgastante. Chegando ao final do dia é sempre uma ou duas horas que se passa aqui, juntando o útil ao agradável. Damos apoio à população e temos a família sempre perto. Venho cá todos os dias por causa do correio. A minha mulher compreende-me porque agora ela também faz parte da direcção (risos). Às vezes regateamos um com o outro. Não estamos de acordo em todas as decisões mas tento levar a minha avante. Sou uma pessoa optimista e acredito que, todos juntos, podemos mudar o rumo do país e da crise. Talvez não voltemos ao que éramos mas acredito que vamos conseguir melhorar. Tira-me do sério às vezes não trazer tanta gente como eu gostaria aos vários eventos que promovemos. Fazemos tudo para que a população venha à sociedade e que traga os seus familiares. Mas às vezes temos eventos muito vazios e isso entristece-me. Gostávamos de ter o polidesportivo da associação a funcionar mas faltam-nos mais jovens. A maioria prefere ficar em casa entretida com os computadores. Para mim o dinheiro da colectividade é sagrado. Tivemos sempre um tesoureiro que sempre lutou para que as contas ficassem bem. Passou-me a pasta mas só saiu porque as contabilidades das associações já mexem com algum dinheiro. Um dirigente associativo tem de gostar daquilo que faz, como em tudo na vida. O essencial é gostar de poder dar à população o que gostava de receber. Fazer eventos e não ser um director só para ter uma colectividade com a porta aberta. As pessoas em alguns casos não querem dar o seu tempo, querem chegar a casa, sentar-se no sofá, ver TV e se lhes apetecer irem a um espectáculo.Nas minhas férias levo a família e os meus primos mais chegados, um grupo de seis pessoas, e vamos sempre todos juntos para a praia, entre Espanha e Algarve. Sei nadar mas não sou pessoa de arriscar mar adentro, gosto mais de nadar ao longo da praia e não para dentro dela. As férias com um grupo grande são sempre mais divertidas. Aos fins-de-semana vou a Castelo Branco, visitar a minha filha, que estuda lá na faculdade. Sou um homem que gosta de comer de tudo um pouco. Não sou esquisito. Numa empresa grande com refeitório a pessoa é obrigada a comer tudo (risos). Gosto muito de ficar até tarde a ver filmes na televisão quando já toda a gente dorme. Costumo deitar-me entre a meia-noite e a uma da manhã, mesmo levantando-me às 06h20 todos os dias. É a única coisa que faço fora do normal. Também gosto de viver onde vivo porque é sossegado e estamos perto de Lisboa.
“O associativismo é uma doença saudável”

Mais Notícias

    A carregar...