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Ladrões levaram cerca de uma centena de cabras de uma quinta de S. Facundo

Ladrões levaram cerca de uma centena de cabras de uma quinta de S. Facundo

O roubo foi na madrugada de segunda-feira, 18 de Agosto e não há mais casos no concelho de Abrantes
Edição de 27.08.2014 | Sociedade
Foram roubadas cerca de uma centena de cabras no Monte Vale de Água, freguesia de S. Facundo, concelho de Abrantes. O assalto foi comunicado à GNR de Abrantes na manhã de segunda-feira, dia 18, e há suspeitas que tenha ocorrido de madrugada, entre as duas e as três horas. Os caseiros da herdade ouviram barulho por volta dessa hora mas nunca imaginaram que alguém estivesse a roubar os animais. Para entrar no local os ladrões partiram o cadeado do portão. Os caseiros, que não quiseram ser identificados, aceitaram contar a O MIRANTE a sua versão do que se passou. “Pelas rodas e pelas pegadas que havia no local, o roubo foi feito por vários indivíduos com uma camioneta. Ouvimos os cães a ladrar mas nunca imaginámos que nos estivessem a levar as cabras. Uma senhora contou-nos que ouviu a camioneta a passar na Barrada porque as cabras faziam barulho mas não conseguiu ver quem estava na cabine. Apenas viu os animais através dos taipais. A viatura ia a alta velocidade. Na nossa opinião são pessoas que nos andavam a vigiar e que sabiam onde tínhamos as cabras. Para nos virem roubar tinham de conhecer o terreno e saber onde estava o gado”, contam.A propriedade, com cerca de 13 hectares, tem aproximadamente duas mil cabras, espalhadas por vários locais. Fonte da GNR indicou que foram efectuadas todas as diligências e recolhidos no local vestígios. Para já este é um caso isolado.Um pastor à moda antigaManuel Gonçalves, 79 anos, começou a ser pastor aos cinco anos de idade. Na altura ajudava o pai que tinha aquela profissão. Conta que os rebanhos eram enormes. Hoje continua a andar pelos montes com o gado e apesar das dificuldades pastoreia à moda antiga. Com a ajuda dos seus cães guarda cerca de duzentas cabras e ovelhas. O medo de lhe roubarem algum animal é constante.À hora de almoço guarda o rebanho numa cerca. Levanta-se todos os dias por volta das 5 da manhã e sai para o campo algum tempo depois, ajudado pelos seus dois cães. “O grande guarda os borregos das raposas, o pequeno vai buscar o gado conforme eu mando. Há dias em que não vejo ninguém. Fico todo contente quando passa um avião. Antes estava sempre tudo cheio de gente, agora está tudo nas cidades”, conta.Conhecido por Cachola, o pastor vive no Vale das Mós, concelho de Abrantes. Já teve um rebanho com mil e setecentas ovelhas. Na altura trabalhavam para ele outros pastores. Quando não pode cuidar do rebanho é a esposa que o substitui. Os dias são todos iguais. Faz uma pausa a meio do dia para o almoço, durante o qual as ovelhas ficam numa cerca. Dorme a sesta e depois volta a levar os animais para a charneca até ao anoitecer, altura em que regressa para recolher os animais num barracão. Quando os borregos deixam de mamar e são vendidos para abate tem que tirar o leite às ovelhas mas não o aproveita porque não gosta de queijo.Confessa que já pensou em vender todos os animais mas acaba por desistir sempre porque aquela é a sua vida. “Se o fizesse era mau porque não sabia em que me ocupar”, confessa, acrescentando que detesta “papeladas”. Diz que na altura da lã, foi uma confusão. “Eu tinha que pagar aos tosquiadores porque não a queriam vir retirar. Já não ganho para mim quanto mais para os outros. Quase que não vale a pena tê-las. Querem fazer pouco de um velhote. Às vezes penso em acabar com isto e dar descanso ao corpo, mas ele também não quer descanso. Todos os dias vou estafadinho para casa, mas os ossos estão tão deslocados que já nem querem estar deitados”, desabafa.Manuel Gonçalves confessa que tem receio que lhe roubem os animais. “É claro que tenho medo. Regresso a casa à meia-noite e às cinco já estou a pé mas nessas cinco horas, se eles quiserem roubar, depressa passam para Espanha. Têm carros preparados. Arranca daqui um, mais à frente trocam e mudam de matrícula. Quando eles tiram o gado, têm de o carregar, e nesse tempo o pastor até pode conseguir tirar a matrícula, mas quando chegarem a Ponte-de-Sor já vão noutro carro. Ninguém chega a ver nada”.
Ladrões levaram cerca de uma centena de cabras de uma quinta de S. Facundo

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