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Jornalista Rui Cardoso Martins diz que a imprensa regional é a voz das comunidades

Jornalista Rui Cardoso Martins diz que a imprensa regional é a voz das comunidades

O jornalista diz que a crise empobreceu a profissão e fala de uma crescente ameaça à liberdade da imprensa. O também escritor esteve em Vila Franca de Xira a apresentar um livro.

É fundamental haver imprensa regional porque sem ela as comunidades não têm voz. A opinião é do jornalista e escritor Rui Cardoso Martins que no sábado, 25 de Outubro, esteve em Vila Franca de Xira a apresentar o seu livro “Se fosse fácil era para os outros”. Aquele, que foi repórter e cronista do jornal Público, considera que é importante haver uma imprensa de proximidade mesmo que esta dependa financeiramente do poder local e sofra “chantagem psicológica” por parte das câmaras e das empresas que financiam esses projectos editoriais.Rui Cardoso Martins, que confessou já ter estado no Colete Encarnado a fugir dos toiros, foi desafiado por O MIRANTE a reflectir sobre o estado do jornalismo. “Às vezes não nos damos conta disso mas vivemos e escrevemos em liberdade. Há pessoas noutros países que são mortas por fazer o que fazemos”, nota. O jornalista diz que a crise empobreceu a profissão e fala de uma crescente ameaça à liberdade da imprensa. “Eu trabalho livremente mas sei que há muitas pessoas que não o fazem porque estão dependentes de não receber salário e porque estão a trabalhar em condições péssimas. Isso é mau. A liberdade do jornalismo está ameaçada porque os jornais estão a vender cada vez menos”, lamenta.Quando começou a escrever sátira política foi aconselhado a ter cuidado com quem se ia meter. “Hoje os jornais vivem muito com a influência das redes sociais, que tanto dá para o bom como para o mau. Não são os cidadãos que vão ocupar o lugar dos jornalistas, os jornalistas são como os médicos: ninguém vai fazer de médico. Um jornalista é uma pessoa que tem uma preparação específica para retirar daquilo que vê e acompanha, do que fala com as pessoas, o que é essencial. Não pode ser qualquer um, à mercê de interesses partidários ou financeiros, a fazê-lo”, defende.Rui Cardoso Martins esteve na criação do caderno satírico “Inimigo Público”. Fundou as Produções Fictícias. Escreveu o “Contra-informação”, o argumento do filme “Zona J” e escreveu para programas como a Herman Enciclopédia ou a Conversa da Treta. Como jornalista acompanhou o cerco de Sarajevo e Mostar, na guerra da Bósnia, e venceu dois prémios gazeta de jornalismo. Regista que o humor faz parte da cultura e garante que apesar da incursão pelo humor nunca deixou de fazer jornalismo. “Havia gente que através do programa Contra-Informação se ia informando, isso para mim era um elogio”, recorda. Para o jornalista veterano, a troca de jornalistas nas redacções por estagiários é “perigosa” e regista que os jovens de hoje deveriam ter maiores oportunidades de mostrar o seu valor. O jornalista esteve na nova biblioteca de Vila Franca de Xira a apresentar, para uma sala praticamente vazia, o seu livro que conta a história de quatro amigos que atravessam uma fase menos boa das suas vidas durante uma viagem aos Estados Unidos.Nova biblioteca da cidade é “fantástica”Rui Cardoso Martins visitou a nova biblioteca e considerou o equipamento “fantástico”. Mas deixou um aviso: “vamos ver como as pessoas se vão integrar, as despesas e que actividades serão feitas aqui”, notou. De resto, confessou, é um lugar “óptimo” para estar a olhar o rio com “um livro na mão”.
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