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Acutilante Manuel Serra d’Aire

Edição de 26.11.2014 | E-mails do outro mundo
A Câmara Municipal de Torres Novas apareceu colocada em 3º lugar num ranking da transparência, segundo um estudo que só por si merecia ser objecto de estudo, até porque tal distinção deixou muita gente de boca aberta. Não que a autarquia não seja tão transparente como a maioria das demais - ou seja, só transparece aquilo que quer transparecer e quando lhe apetece transparecer - mas intrigou-me o porquê de ser agora que o município chegou ao pódio? Porquê, se nem é uma câmara com paredes de vidro como é o PCP?Instigado por essa curiosidade mórbida pus-me a puxar pelo bestunto e, num contributo para a Humanidade que, modéstia à parte, merecia ser reconhecido por uma academia qualquer, descobri o porquê. É que só agora ficou a saber-se que o ex-presidente da câmara António Rodrigues e o actual presidente Pedro Ferreira não eram assim tão unha com carne como parecia. Essa situação finalmente transpareceu e, só por si, faz com que a autarquia mereça entrar no pódio da transparência.A culpa da zanga dos velhos camaradas, ao que sei, nasceu de uma confusão em volta da taxa do IMI. Vê lá tu o que um reles imposto pode fazer a uma bela amizade? É por estas e por outras que não gosto de impostos. Esta história dramática merecia manchete no Correio da Manhã, tal como aqueles casos de irmãos em guerra por causa de um palmo de terra ou de vizinhos que se agridem à sacholada por causa de um rego de água. Porque conseguir pôr de candeia às avessas uma das duplas autárquicas mais sólidas dos últimos 20 anos é obra! Vamos ver como isto acaba, mas estou em crer que depois desta desfeita Pedro Ferreira vai rapar o bigode em forma de protesto, dando assim um sinal claro ao mundo de que se demarca política e definitivamente do seu antigo parceiro António Rodrigues, agora presidente da assembleia municipal.Por falar em irmãos desavindos, também não me escapou a purga que foi feita nas misericórdias de Tomar e do Entroncamento, onde dois irmãos foram expulsos por alegadas malfeitorias feitas às respectivas instituições. A expulsão do irmão do ex-presidente da Câmara do Entroncamento, Jaime Ramos, acusado de, enquanto autarca, ter tomado decisões que prejudicaram a Misericórdia local (como se tivesse sido eleito para defender os interesses da Misericórdia), abre mesmo uma perigosa e imprevisível caixa de Pandora. Se esta linha de pensamento e actuação vingar, por este andar ainda vamos ver ex-autarcas expulsos, e cobertos de alcatrão e penas, pela população dos concelhos onde autarcaram durante anos a fio.Eu não queria voltar a falar tão cedo no jovem deputado do PSD Duarte Marques, até porque os seus companheiros na Assembleia da República eleitos pelo distrito de Santarém podem ficar com ciúmes. Mas o rapaz passa a vida no Facebook e até confessa que gosta de ser politicamente incorrecto. Tão politicamente incorrecto que terá publicado um desabafo, após José Sócrates ter sido detido, que dizia “Aleluia, a malta de Mação não perdoa”. Uma frase que, não custa a adivinhar, aludiria ao facto de o juiz Carlos Alexandre ser de Mação, de onde também é o desbocado Duarte. A verdade é que a politicamente incorrecta frase acabou por desaparecer do Facebook, demonstrando que até o politicamente incorrecto jovem maçanense tem limites e que escrever com o coração ao pé da boca por vezes resulta em asneira...Um abraço outonal do Serafim das Neves

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