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Economia circular

Edição de 26.11.2014 | Opinião
A meio da segunda década deste século estamos perante um conjunto de desafios que há pouco tempo eram inimagináveis. Quase tudo está em causa. Há algum tempo que muitos indicadores evidenciaram que o modo de vida seguido, contrariamente ao que se apregoou, era marcadamente insustentável. Muitos de nós começaram a desconfiar que o caminho seguido não conduziria a bom porto. Assim se veio a confirmar. E agora? Como traçar uma rota de desenvolvimento que assente em padrões sustentáveis, que combata a pobreza e que nos possibilite um modo de vida feliz? É este caminho possível? Todos apenas desejamos ser felizes e por isso necessitamos de um modo de vida em que os atos quotidianos de trabalho, produção e vivência se acumulem por um mundo mais sustentável, equilibrado e justo. Sabe-se, cada vez com mais convicção, que a produção/crescimento, como um bem em si mesmo, é um valor a curto prazo sem viabilidade.Todavia, não há dúvidas que o bem-estar, que todos procuramos, é garantido por um equilíbrio entre a segurança socioeconómica, ecológica e a disponibilidade de recursos numa base de prática eco-eficiente que deve considerar:a utilização de todos os recursos com a máxima eficiência, isto é, com o mínimo de desperdício; a minimização e, no possível a eliminação, do uso de recursos não renováveis; a maximização do uso de recursos renováveis; a utilização de recursos renováveis abaixo da taxa de regeneração.O caminho terá que ser, necessariamente, a criação de valor através de produtos e serviços que ofereçam uma qualidade de vida superior.Trata-se de uma realidade pós-industrial que exige da sociedade a integração de todas as componentes: materiais; concepção; produção; comercialização; consumo e eliminação, numa lógica de fabrico de produtos que integre e incorpore o conjunto das fases que hoje configuram a criação de um produto. Passamos então a formar o que podemos chamar sistema-produto.É neste contexto que o consumidor, responsável, do séc. XXI deve condicionar as suas opções numa análise do tipo “do berço ao túmulo” – isto é, desde a concepção do produto ou serviço, passando pela utilização e terminando na fase de abandono.Esta (nova) atitude convida a uma mudança de estratégia das empresas. Do ponto de vista conceptual significa passarmos de uma visão linear (produtos isolados) para uma visão de ciclo (economia circular), sem nunca esquecer, como às vezes parece, que o Homem é parte integrante do ecossistema Terra.Depois do clássico e³ (ecologia/ambiente - economia - ética/educação/sociedade), do mais recente r³ (resiliência - redundância - redução/risco), estamos obrigados a evoluir para o m³ (mais - melhor - menos). Fazer mais e melhor com menos, muito menos.Chamem-lhe o que quiserem, este é o caminho.Carlos A Cupeto

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