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O que condiciona a liberdade artística é a falta de apoios

O que condiciona a liberdade artística é a falta de apoios

Artistas juntaram-se na Bienal de Vila Franca de Xira para falar sobre a liberdade

Apesar de a maioria garantir que não faz uma autocensura prévia aos seus trabalhos, admite que outros estejam actualmente a fazê-la para ganhar espaço e visibilidade no meio artístico.

Edição de 14.01.2015 | Sociedade
A falta de apoios, de dinheiro para investir nas obras de arte e a existência de galerias cada vez mais fechadas a artistas desconhecidos continuam a limitar a liberdade dos artistas. A ideia foi defendida a O MIRANTE por vários criadores da região, à margem do encontro de artistas realizado no último fim-de-semana, no Celeiro da Patriarcal em Vila Franca de Xira, onde se falou sobre liberdade. Apesar de alguns garantirem que não fazem uma autocensura aos trabalhos, admitem que outros estejam actualmente a fazê-la para ganhar espaço e visibilidade no meio artístico. “Quando um artista se sente condicionado não é artista. É artesão ou outra coisa qualquer. Ser artista é arriscar e ter a consciência de que não se pode ser condicionado. Mas o condicionamento social é inerente e é preciso saber lidar com isso”, defende Jorge Alexandre, presidente do Grupo de Artistas e Amigos da Arte de Vila Franca de Xira. “O maior atentado à liberdade” nos tempos que correm é o factor económico. Mas, nota, a crise também trouxe factores positivos, como a necessidade dos artistas se tornarem mais criativos.Para Américo Silva, presidente da Associação dos Artistas Plásticos do concelho de Vila Franca de Xira, a revolução de Abril trouxe liberdade de pensamento mas não trouxe liberdade económica. “Não nos sentimos condicionados, podemos fazer o que quisermos e os artistas são livres de fazerem o que quiserem. Mas temos alguns inconvenientes. Não fazemos autocensura mas notamos a falta de apoios e isso é que pode vir a condicionar o processo criativo”, explica.Na óptica da artista de gravura Maria Irene Ribeiro o pensamento é livre mas admite sentir-se “um bocadinho” condicionada. “O movimento em relação às galerias e a circulação do objecto de arte, no caso da gravura, caiu 80 por cento”, lamenta. Na sessão encontrámos também José Mourão, professor de artes visuais, dedicado à gravura e que está ligado a duas associações de artistas. “A liberdade criativa não está em risco mas sentimos as condicionantes no momento em que se pretende chegar ao público. Aí sim é mais complicado. Algumas galerias não recebem os trabalhos, ou porque se criaram núcleos fechados e é difícil entrar, ou porque os poderes públicos vivem em círculos fechados no que toca a abrirem-se a novos artistas”, defende.José Mourão admite que os artistas podem criar as suas próprias galerias mas nota a dificuldade de as dar a conhecer ao público. “O problema é que as pessoas que normalmente falam sobre essas exposições não chegam às novas galerias. Em termos financeiros sentimo-nos condicionados”, conclui.Cerca de duas dezenas de artistas da região juntaram-se no Celeiro da Patriarcal na tarde de sábado, 10 de Janeiro para, no âmbito da Bienal de Fotografia, falarem sobre liberdade e sobre a representação “Liberdade 40x40”, uma mostra de 40 painéis alusivos à revolução de Abril, realizados por artistas portugueses e de outros 12 países, entre eles Rússia, Brasil, África do Sul, Angola, México, Japão, Bélgica, Turquia, Alemanha, Estados Unidos da América, Inglaterra e Itália. No final da Bienal de Vila Franca de Xira a mostra vai percorrer diferentes localidades do país, como Setúbal e Sobral de Monte Agraço.Vila Franca de Xira é das poucas que dá apoiosO presidente da Associação dos Artistas Plásticos do Concelho de Vila Franca de Xira, Américo Silva, garante a O MIRANTE que a associação está com vitalidade e actividade regular, deixando elogios à anterior presidente do município. “Vila Franca de Xira é das poucas câmaras que dá um subsídio às nossas actividades e por isso vamos vivendo. É uma iniciativa de mérito que muito se deve à anterior presidente, Maria da Luz Rosinha, que deu um grande apoio às actividades culturais, com muito entusiasmo e evidência”, enaltece. Na sede da associação, em Subserra, podem ser vistas com regularidade exposições e mostras de diferentes autores, quer regionais quer locais.
O que condiciona a liberdade artística é a falta de apoios

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