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O espanhol de Covão do Coelho que fez do folclore e das tradições a sua vida

O espanhol de Covão do Coelho que fez do folclore e das tradições a sua vida

Agustin Guerra Gonzalez é um estudioso da etnografia do concelho de Alcanena e da região. No domingo foi apresentado um livro de sua autoria, resultado de muitos anos de trabalho dedicado às tradições, usos e costumes da zona.

Edição de 21.01.2015 | Sociedade
Agustin Guerra Gonzalez emocionou-se na tarde de domingo, 18 de Janeiro, quando o público que enchia o salão paroquial de Covão do Coelho, Alcanena, se ergueu numa ovação ao fundador do rancho folclórico local durante a apresentação de um livro sobre a paixão da sua vida. “Apontamentos Etnográficos” é um trabalho de muitos anos de dedicação e recolha de elementos das tradições, usos e costumes da zona. E é sobretudo uma forma de perpetuar um homem cuja vida é uma obra muito maior do que qualquer livro. Nascido a 15 de Março de 1944, o espanhol evidenciou no seu discurso o amor pela terra e pela sua companheira de há 44 anos. Agustin destacou o papel da presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, na possibilidade que deu de publicar o livro, e da sua mulher, Rosa Gonzalez, “pela paciência, perseverança” e pelo apoio. Debilitado em termos de saúde, foi Rosa quem contou a O MIRANTE histórias deste homem, que se apaixonou por Covão do Coelho. Rosa conheceu Agustin numa tarde de domingo perto da casa dos seus pais quando estava a fazer renda. O espanhol, nascido em Puebla de La Reina, era ainda um desconhecido na aldeia, e quando passou ela pensou que podia ser um ladrão que andava a reconhecer a zona para assaltar as casas à noite. Mas a única coisa que Agustin roubou foi o coração da jovem. De entre as histórias divertidas há uma que se passou em 1976, quando o casal foi fazer campismo. No talho da zona só havia borrego, carne de que Agustin não gostava. “Fiquei preocupada mas comprei a carne, guardei segredo e preparei o almoço. Agustin comeu e ainda repetiu elogiando o prato”, conta. Rosa disse-lhe: “A partir de hoje vais comer borrego quando eu quiser”. E assim foi. Pela voz do povo falou Ana Neto, elemento do rancho de Covão do Coelho. “É um homem muito exigente consigo e com os outros mas também se emociona com facilidade e chora por tudo e por nada”. Filipe Vieira, o actual presidente do rancho, lembra que bastava um par enganar-se numa dança para o grupo ter de repetir tudo de início. “Mas é graças a ele que o grupo tem a qualidade que tem e que é reconhecida em todo o lado”, destaca. Agustin Guerra Gonzalez, um poeta que coloca a poesia no que faz, granjeou amigos ao longo da vida, entre os quais os mais conceituados folcloristas. Foi homenageado em 2007 pela então Região de Turismo do Ribatejo pelo seu trabalho, empenho e amor à etnografia. Uma dedicação que também foi enaltecida por Fernanda Asseiceira na apresentação do livro. A autarca destacou a dinâmica de um homem que, apesar de não ter nascido na terra, é um filho da terra na defesa “da nobre causa que é valorizar e divulgar as tradições, os nossos costumes e a nossa cultura”.Uma vida dedicada à culturaAgustin Guerra Gonzalez veio para Portugal com a mãe e a irmã, aos três anos. Começou por viver em Campo Maior até se mudar para o Pombalinho (Golegã). Passou ainda por Merceana (Torres Vedras) e Peral (Alcanena). Depois radicou-se no Cartaxo, onde fez parte do rancho folclórico até ir cumprir o serviço militar em Espanha. Após a tropa voltou a Portugal em 1967. Foi no Cartaxo que aprendeu a dançar e se apaixonou pelo folclore. Em 1968 instala-se em Covão do Coelho, fundando o rancho local, de que foi presidente e director artístico durante duas décadas, até ser impedido de exercer as funções devido a um AVC - Acidente Vascular Cerebral. Casou três anos depois. Começou nessa altura a frequentar encontros de folclore, congressos e palestras. Agustin participou com trabalhos da sua autoria em sete congressos de folclore do Ribatejo. Além do folclore foi animador de jovens e catequista durante 15 anos e comissário da capela de Covão do Coelho durante quatro anos.
O espanhol de Covão do Coelho que fez do folclore e das tradições a sua vida

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