Atletas de Azambuja construíram os seus próprios equipamentos de ginástica para poderem treinar
Colchões foram recuperados do lixo e outros equipamentos improvisados com diferentes materiais
A secção de ginástica, dança e fitness do Grupo Desportivo de Azambuja tem arrecadado medalhas e atletas vencedores com uma particularidade: por falta de apoios todos os equipamentos foram construídos pelos entusiastas do clube. Uma forma de não privar os jovens da terra de fazer desporto.
As cerca de quatro dezenas de atletas de ginástica artística do Grupo Desportivo de Azambuja (GDA), algumas já com várias medalhas alcançadas a nível regional e nacional, treinam em equipamentos improvisados que os entusiastas e amigos do clube construíram nos tempos livres. A secção de ginástica, dança e fitness do GDA (Gydafit) ocupa um pavilhão cedido pela câmara e tem sido recuperado aos poucos pelos membros do clube. Por falta de dinheiro e apoios decidiram, literalmente, meter mãos à obra e construir pelas próprias mãos os equipamentos de que necessitavam. Nos últimos anos foram construindo improvisados aparelhos de ginástica que, de outra forma, custariam entre os 3 e os 5 mil euros. Já construíram, por exemplo, umas paralelas (um equipamento com duas barras), uma trave baixa e uma mesa de saltos, feita com uma cama de fisioterapia virada ao contrário.O piso do pavilhão foi melhorado com restos de material que uma empresa da zona deitou fora e o grupo aproveitou. O mesmo aconteceu com os espelhos, que sobraram da fábrica da Opel que foi encerrada. Os colchões usados pelas atletas têm perto de 40 anos e a mesa de saltos é feita com colchões recuperados do lixo, que depois de desinfectados e limpos foram colocados de novo ao dispor dos atletas. Apesar das condições não serem as melhores, e de os jovens terem de se adaptar aos equipamentos “reais” quando chegam às provas, a verdade é que os jovens atletas ainda conseguem mostrar resultados. O ano passado uma das atletas, Beatriz, foi vice-campeã nacional e, recentemente, o grupo competiu numa prova em Lisboa onde trouxe medalhas de primeiro, segundo e terceiro lugar. “Tudo o que aqui está foi feito por técnicos do Gydafit, com a ajuda de pessoas amigas, durante as férias, feriados e depois da hora de trabalho. Ainda continuamos esse trabalho, todos os meses montamos alguma coisa. Uma das estruturas que fizemos foi com material que estava no tecto do pavilhão e outra com material que sobrou das janelas”, explica a O MIRANTE Natacha Correia, uma das coordenadoras da secção, juntamente com Inês Grazina. Segundo as duas responsáveis é o amor ao clube e aos atletas que as vai motivando.A maioria dos jovens atletas tem entre os 4 e os 15 anos. Apesar das condições não serem as ideais o companheirismo e o espírito de grupo, aliado ao facto do clube ser o único da zona filiado na Federação Portuguesa de Ginástica, acabam por manter muitos atletas ali a praticar desporto. “A semana passada esteve aqui no pavilhão o director técnico da federação, que já conhecia o nosso trabalho e as nossas atletas. Quando conheceu o espaço ficou espantado e muito sensibilizado, mostrou intenção de nos ajudar. Não queremos ser melhores que os outros, apenas somos esforçadas e dedicadas a isto”, explica Natacha. A colega, Inês, acrescenta que nem sempre a boa vontade e martelo na mão resolvem tudo. “Para o ano, possivelmente, teremos de mandar atletas embora porque estarão a um nível da primeira divisão e nós não poderemos acompanhá-las porque não teremos equipamentos para isso”, lamenta.O objectivo do grupo de ginástica e fitness é continuar a proporcionar às pessoas, independentemente de terem condições financeiras ou não, uma prática desportiva contínua ao longo da época.A secção foi criada há cerca de uma década com aulas de fitness e foi crescendo. Hoje em dia, além da ginástica, a secção tem mais uma centena e meia de pessoas nas áreas de hip hop, grupo fitness, musculação, cardio-fitness, reabilitação física e desporto aventura.
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