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“Não partilho essa ideia de que os mais velhos é que sabem tudo”

“Não partilho essa ideia de que os mais velhos é que sabem tudo”

José Fidalgo Gonçalves, professor no Instituto Superior de Educação e Ciências

Professor e investigador, ex-presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, confessa que uma das coisas que mais detesta fazer é ir às compras. Teve vários trabalhos mas nunca desistiu de estudar e por causa disso chegaram a chamar-lhe o papa-cursos. Não exclui a possibilidade de ser candidato ao cargo de presidente da Câmara de VFX mas não está empenhado em vir a sê-lo. Diz que a vida é uma aprendizagem constante. Considera a família e a confiança dois pilares fundamentais da sua vida. O seu maior vício é jogar xadrez.

Edição de 11.02.2015 | Três Dimensões
Todas as profissões que tive foram acasos da vida. Trabalhei na metalo mecânica, na área comercial, gestão pós-venda e até cheguei a ser despachante de tráfego aéreo. Hoje em dia, além de professor, sou também investigador no Centro de Estudos e Investigação Aplicada e consultor em empresas e autarquias na área das ciências empresariais e administração. Lamento que, com a crise, haja cada vez menos alunos inscritos na faculdade.Não planeei envolver-me na política nem ser presidente da Junta de Vila Franca de Xira. A minha actividade como autarca marcou-me de forma muito positiva. Guardo boas recordações das pessoas e das instituições com quem me cruzei. Só tenho pena de, por causa da minha vida actual, não conseguir manter a relação com muitas dessas pessoas. Desde os 14 anos que estou envolvido no movimento associativo. Acho que todos os cidadãos têm a obrigação de trabalhar para o bem comum. Ninguém deveria ser deputado ou presidente de câmara, por exemplo, sem ter passado pelos diferentes escalões da vida autárquica e cívica para perceber como é o funcionamento das coisas.Perguntam-me por vezes se serei candidato a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Eu não sei o dia de amanhã mas sei que nunca devemos dizer “dessa água não beberei”. Os partidos andam sempre à procura de ver quem será o próximo cabeça de lista, aquele que sabe tudo e vai levar a multidão atrás dele. Para mim é precisamente o contrário. O que conta é o grupo e o trabalho que, em conjunto, se pode fazer para desenvolver os territórios.A nossa rede de transportes públicos é cara e não é eficiente. Quando vou para o trabalho não tenho outro remédio senão ir de carro. Demoro 25 minutos de casa ao trabalho mas demoro muito mais quando tenho de andar dentro de Lisboa. Conduzir não me dá prazer.A certa altura começaram a chamar-me o papa-cursos porque eu mesmo a trabalhar continuava a estudar. Estava sempre em qualquer lado onde pudesse aprender algo mais. Sinto uma necessidade grande de aprender. O meu pai dizia-me que a experiência teórica liga com a prática, mas se não soubermos o que fazer a teoria não diz nada. Sinto que as pessoas hoje em dia têm uma grande vontade e ânsia de saber, aprender, conhecer mais. Ainda estou na idade dos porquês e acho que vou ter sempre dúvidas ao longo da vida. Considero que tomar decisões precipitadas é um erro. O meu dia de trabalho começa pelas 07h30 e acaba pela 01h30. Não sou viciado em trabalho, mas não tenho outra alternativa, porque tenho prazos para cumprir. Mas gosto do que faço.Gosto de viver na Castanheira do Ribatejo por causa do silêncio e da generosidade das pessoas. Já não me lembrava de como era passar na rua e as pessoas se cumprimentarem mesmo que não se conheçam. Infelizmente não tenho muito tempo para passar na vila.Ir às compras ou andar a ver montras complica-me com o sistema nervoso. É das piores coisas que me podem obrigar a fazer. A melhor coisa que me pode acontecer é estar com a família. A família é fundamental. Outra coisa que também considero fundamente é a confiança. Faço tudo para manter a confiança das pessoas. A nossa sociedade tem conseguido garantir paz nestes tempos de crise mas não é fácil. Lamento que o peso do poder político ou do poder económico sejam sempre superiores ao peso do poder social. O meu grande vício é jogar xadrez e não me consigo livrar dele. Hoje em dia já consigo jogar à distância, no computador, mas não é a mesma coisa que estar frente a frente com um amigo. Não fico chateado quando sou ultrapassado pelos mais novos. Não partilho essa ideia de que os mais velhos é que sabem tudo. Fui educado pelos meus pais, irmãos, filhos e agora estou a ser educado pelos meus netos. Estamos sempre a aprender.Uma Faculdade em Vila Franca de Xira só faria sentido se agrupasse outros concelhos. Tinha que ser algo que fizesse sentido. Quando se fala numa faculdade precisamos de perceber se o território precisa das profissões e capacidades que essa faculdade iria oferecer. Não devemos defender uma faculdade só por bairrismo.
“Não partilho essa ideia de que os mais velhos é que sabem tudo”

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