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A escultora que trocou Lisboa por Minde para estar com a cabeça nas nuvens

A escultora que trocou Lisboa por Minde para estar com a cabeça nas nuvens

Maria Rita Pires transforma livros antigos em figuras de papel
Edição de 11.03.2015 | Sociedade
A escultora Maria Rita Pires já teve ateliê em Lisboa mas preferiu instalar-se na sua terra, em Minde, Alcanena, onde pode haver menos oportunidades mas onde tem as condições para andar “com a cabeça nas nuvens”, como gosta de se sentir. Gosta de trabalhar o papel, sobretudo de livros antigos, que transforma em figuras com arte minuciosa. “Vivo um bocado fora do sistema, vivo muito no meu mundo, no meu ateliê, com a minha família, com as minhas coisas. Não sou muito dada a grandes multidões ou eventos sociais”, confessa.Quando era pequena costumava pegar em objectos antigos ou bonecas estragadas e transformá-los. “Não gostava de brincar com as bonecas quando eram novas, preferia pegar nas bonecas que estavam no lixo ou outro tipo de objectos, no caso das bonecas vestia-as ou arrancava-lhe os braços ou as pernas. É um bocado mórbido eu sei, mas sou assim”, conta a sorrir. Maria Rita Pires, apesar de ter feito parte da vida em Lisboa, onde estudou no Centro de Arte e Comunicação Visual, sempre se achou “uma miúda do campo”. Gosta do campo, do silêncio, da tranquilidade e das “pequenas coisas que só o campo me pode oferecer”. Mas há coisas que gostava de ver mudadas na região, como espaços verdes mais bem cuidados com caminhos onde pudessem fazer caminhadas. Maria não se preocupa muito com as questões económicas ou políticas e confessa que nunca iria conseguir ter uma actividade política porque reconhece ser muito tímida. A escultora diz que “não conseguiria falar com as pessoas”.As suas obras são sobretudo feitas em papel antigo mas também trabalha o barro branco. “Consigo fazer tudo com o papel. Mexer com o papel traz-me muita tranquilidade. Sou uma pessoa muito stressada no dia-a-dia e o recortar o papel e fazer coisinhas muito pequenas traz-me muita tranquilidade”, realça.Os livros como vivência e aprendizagem têm sido um ponto de partida de exposições em Lisboa, como “Alice” que criou e instalou na Storytailors, e a que apresentou na Trema, inspirada no livro “O filho de mil homens” de Valter Hugo Mãe. O escritor quando conheceu o trabalho de Maria Rita, quis ver os seus “livros mudados para esculturas iguais, cheias de papelinhos que parecem também palavras recortadas, pequenas palavras que, sem falarem, mostram uma figura ou objecto”. Maria Rita Pires já expôs em Lisboa, Torres Vedras, em São Paulo e no Rio de Janeiro, no Brasil. Até 28 de Março tem patente na Biblioteca Municipal de Alcanena uma exposição, integrada nas comemorações do Concelho e do Dia Internacional da Mulher.
A escultora que trocou Lisboa por Minde para estar com a cabeça nas nuvens

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