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Fecho de teatro em Alverca lança guerra entre companhias artísticas

Fecho de teatro em Alverca lança guerra entre companhias artísticas

Inestética e Cegada têm estado num clima de confronto por causa dos apoios municipais. Coligação Novo Rumo apresentou proposta para que a câmara discuta publicamente o que tem sido feito pelo Inestética no Palácio do Sobralinho.

Edição de 18.03.2015 | Sociedade
As duas principais companhias de teatro do concelho de Vila Franca de Xira, o Inestética e o Cegada, estão em guerra por causa dos financiamentos municipais. O Cegada não se candidatou aos apoios municipais por não concordar com a forma como os apoios são atribuídos, o maior deles, por subvenção, ao Inestética, liderado por Alexandre Lyra Leite. Devido à inexistência de apoios, o teatro estúdio de Alverca, casa do Cegada, vai fechar no final deste mês. O Cegada não concorda que a companhia Inestética, sediada no Palácio do Sobralinho, receba 24.600 euros e que restem apenas 16.200 euros para as restantes companhias dividirem. A companhia teatral de Alverca pede um novo regulamento, mais transparente e de iguais oportunidades para todos os grupos, ao invés de uma subvenção directa ao Inestética.Depois do vereador Rui Rei, da Coligação Novo Rumo, ter pedido um relatório sobre as actividades desenvolvidas pelo Inestética com o dinheiro da câmara, na última reunião de câmara, o verniz estalou de vez. Os responsáveis do Inestética emitiram um comunicado queixando-se de um “ataque violento”, através de uma “campanha demagógica” do Cegada que utiliza o Inestética como “arma de arremesso”. O grupo diz que o Cegada está a “instigar uma guerra fratricida que coloca os grupos de teatro uns contra os outros”, numa estratégia “incendiária, dirigida e estúpida”.Num comunicado repleto de adjectivos, o Inestética fala também de “lutas rasteiras” que só contribuem para a “mediocridade intelectual”. O director técnico do Cegada, Rui Dionísio, já tinha afiançado a O MIRANTE que a companhia não tem “absolutamente nada contra o Inestética” mas sim contra a forma como o município tem atribuído os apoios. A câmara justifica que a verba é maior porque o Inestética é a única companhia profissional do concelho. O Cegada discorda e lembrou esta semana, em comunicado, que efectuou em 2012 o processo de profissionalização da sua estrutura de teatro, tendo-se candidatado já por três vezes, com admissibilidade, aos apoios da DGArtes - Secretaria de Estado da Cultura. “Facto que o actual executivo de Vila Franca de Xira acompanhou, não disponibilizando mais do que a verba destinada aos grupos de teatro amadores, definidos por critérios nunca explicados e dificultando de forma passiva o crescimento da companhia e a aquisição de outras formas de financiamento”, lamenta o grupo de Alverca.Apesar de ser a entidade que mais recebe no concelho, o Inestética diz que o montante que lhe é atribuído “é manifestamente insuficiente” para todas as actividades que produz. Na última semana teve lugar uma troca acesa de comentários na página do Facebook da Coligação Novo Rumo, onde os responsáveis do Inestética criticaram o facto de Rui Rei ter pedido os relatórios da actividade que desenvolvem no palácio, acusando-o de não conhecer “nada” do que ali é feito. Rui Rei não se ficou e deixou um aviso: também passa por ele aprovar em orçamento as verbas que o Inestética recebe e precisa. “Devo ter cometido um pecado e um acto de ignorância ao pedir estes relatórios sobre a actividade destes senhores. Devo ser ignorante. Mas sabem que mais? Quero os relatórios na mesma. As entidades que recebem subsídios da câmara têm de prestar contas, sejam elas quem forem”, avisou. Rui Rei fez mais, apresentando publicamente uma proposta para que em próxima reunião de câmara o caso da programação cultural do Inestética no Palácio do Sobralinho possa ser discutido. “Para que seja verdadeiramente transparente e correcta para todos. Lá porque há pessoas que lêem quatro livros de Shakespeare isso não faz com que não tenhamos a obrigação de os questionar”, disse.Alberto Mesquita, presidente do município, mostrou-se disponível para agendar o ponto e tentou distanciar-se da polémica, notando apenas que há um esforço da câmara para que exista “equidade” na distribuição dos apoios. Um teatro de interesse cultural nacionalEm Junho de 2014, recorde-se, a Secretaria de Estado da Cultura, na pessoa do secretário de Estado, Jorge Barreto Xavier, assinou um despacho que certifica a companhia Cegada e o projecto de programação cultural que tinham para o Teatro Ildefonso Valério como um projecto de interesse cultural nacional. Um projecto que se despede no próximo Dia Mundial do Teatro.
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