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Maurício do Vale diz mal do mundo dos toiros e que o rei vai nu

Maurício do Vale diz mal do mundo dos toiros e que o rei vai nu

Debate sobre tauromaquia realizou-se no Museu Municipal Sebastião Mateus Arenque em Azambuja

Maurício do Vale, o mais prestigiado e conhecido critico tauromáquico, malhou forte e feio nos homens que põem de pé todos os anos as corridas de toiros. Embora usando adjectivos suaves, classificou os empresários muito abaixo do nível necessário para que a festa brava em Portugal reconquiste o público que tem vindo a perder nos últimos anos.

Edição de 18.03.2015 | Sociedade
Maurício do Vale estava na sala, no meio da assistência, mas a certa altura foi-lhe dada a palavra e o crítico tauromáquico começou por elogiar as duas cavaleiras, que falavam na noite de sexta-feira, 13 de Março, no colóquio intitulado “A Tauromaquia no Feminino”, que decorreu no Museu Municipal Sebastião Mateus Arenque, em Azambuja. Recorde-se que já foi apoderado de Ana Batista durante dez anos e, actualmente, é apoderado de Ana Rita, as convidadas do serão. Maurício do Vale afirmou que as empresas que organizam as corridas de toiros “não são objectivas” e vão por gostos pessoais e “compadrios”. “Existem pactos invisíveis. Hoje em dia há empresas que apoderam cavaleiros e só os contratam para as corridas porque são seus apoderados”, lamentou.Maurício do Vale defende que as escolhas de cavaleiros e grupos de forcados para as corridas não podem ser feitos na base das “amizades e compadrios” como tem acontecido nos últimos anos. “Há que organizar as corridas de touros em função do que um cavaleiro faz na arena. Se tem triunfado deve ser chamado para mais corridas mas, infelizmente, não é isso que acontece. Existem muitos interesses instalados neste mundo que não dignificam a festa brava”, criticou.O MIRANTE entregou recentemente o Prémio Personalidade do Ano à Escola de Toureio José Falcão. A lembrança vem a propósito de declarações de um dos directores da escola, José Manuel Rainho, que em Janeiro de 2014, em entrevista, afinava as suas críticas pela mesma bitola. “Há lóbis políticos e empresariais a fazerem pressão para acabarem com a tauromaquia (…), até com os próprios empresários do meio taurino é preciso ter cuidado, são muitas vezes os mais perigosos. Aparecem no meio taurino empresários ‘pára-quedistas’ que prometem grandes eventos e acabam a fazer grandes vigarices. Dão cabo da imagem da festa brava e as associações que existem em Portugal têm a responsabilidade de fiscalizar mais essas situações”, defendeu nessa altura.José Rainho diz que há poucas corridas mistas que juntem cavaleiros e matadores de toiros porque os empresários tauromáquicos são adversos ao risco e queixam-se de perder dinheiro com o toureio a pé. Situação que gostava de ver invertida. Na opinião do dirigente, mais do que a crise económica que afasta o público das praças, o que falta é melhores figuras do toureio para atrair espectadores.“Os cartéis estão muito repetidos. Admira-me como ainda há pessoas que vão tantas vezes aos toiros. Repete-se a mesma coisa em praças diferentes porque as figuras do toureio a cavalo em Portugal já têm 30 anos de alternativa e os novos cavaleiros não conseguem imprimir nada de novo. Não trazem emoção. Hoje em dia toureia-se muito bem mas é quase tudo igual. Não há a verdade de antigamente”, considerou José Manuel Rainho na entrevista a O MIRANTE publicada em Janeiro de 2014.Mulheres toureiras já não se sentem discriminadasMaternidade é incompatível com carreira no mundo dos toiros. Cavaleiras Ana Batista e Ana Rita participaram em debate sobre tauromaquia onde defenderam o seu papel na renovação da aficcion. O Museu Municipal Sebastião Mateus Arenque, em Azambuja, encheu para se ouvir falar do mundo dos toiros.A maternidade é quase incompatível com a carreira de cavaleira tauromáquica. A opinião é das cavaleiras Ana Batista e Ana Rita, convidadas do colóquio “A Tauromaquia no Feminino”, que decorreu na noite de sexta-feira, 13 de Março, no Museu Municipal Sebastião Mateus Arenque, em Azambuja. Ana Batista, 36 anos, confessou que há uns anos, quando teve uma lesão que a obrigou a parar uns tempos, ficou “desejosa” de ser mãe. No entanto, a ideia foi ficando para trás. “Sei que daqui a uns anos me vai fazer diferença se não for mãe mas agora sou feliz e o meu marido já tem filhos, disse.Ana Rita tem 25 anos e afirma ser ainda uma jovem para pensar em ter filhos. Primeiro quer concretizar o seu sonho de tornar-se uma figura no mundo da festa brava. Ambas dizem que “os cavalos são os seus filhos”.Ana Batista considera que o mundo dos toiros ainda é masculino mas, aos poucos, vai equilibrando-se. Nunca sentiu discriminação por parte dos colegas e empresários mas no início da sua carreira era tudo mais difícil. “Quando entrei em praça nas primeiras vezes ouvi comentários do público a dizerem-me que o lugar das mulheres era em casa a lavar pratos. Não foi nada fácil entrar neste mundo”, confessa. Mais nova, Ana Rita diz que já não sentiu tanto preconceito por ser mulher porque Ana Batista e Sónia Matias fizeram um trabalho “muito” importante de abrir portas a outras mulheres que queriam ser cavaleiras. “Quando era mais nova via a Ana e a Sónia tourearem e dizia que um dia gostava de estar ao lado delas. Foi um sonho que felizmente se concretizou”, confidencia.Ana Rita admite ter “muito medo” do fracasso. O seu receio é que o público não goste de si e que as coisas corram mal. Até hoje isso não aconteceu mas garante que se sente mais à vontade a tourear em Espanha. “Em Portugal só falam de mim quando não estou bem nas minhas actuações. Quando faço boas exibições, como aconteceu na noite da minha alternativa, parece que não aconteceu nada. Por isso prefiro tourear em Espanha onde sinto que os aficionados são mais justos”, afirma. Para Ana Batista o seu maior medo quando entra em praça é o público. As cavaleiras ribatejanas consideram que as mulheres vieram fazer a diferença no mundo da festa brava. Preocupam-se mais com a imagem e esforçam-se para entrarem em praça com casacas bonitas e os cavalos a condizer. Demoram mais tempo a arranjar-se porque têm que ficar bem penteadas, bem vestidas e nem a maquilhagem é descurada. No dia das corridas Ana Batista faz questão de ser ela a dar banho aos seus cavalos para ficarem ao seu gosto. Ana Rita garante que não há competição entre mulheres cavaleiras e Ana Batista, enquanto espectadora, admite sofrer ou vibrar bastante com a actuação dos seus colegas.Enquanto mulheres podem ter menos força que os homens mas acreditam que a técnica e arte do toureio são suficientes para “abafar” a falta de força. “O toiro não sabe se está a enfrentar um homem ou uma mulher. Enquanto os homens têm mais força, eu recorro à sensibilidade para dar a volta aos cavalos para conseguir fazer a minha lide o melhor possível. O toureiro é bom quando consegue mostrar toda a sua qualidade”, explicou.
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