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Património artístico de VFX não está devidamente valorizado

Património artístico de VFX não está devidamente valorizado

Concelho tem peças de arte valiosas mas boa parte está esquecida. Exposição no museu municipal mostra até Outubro algumas obras que estavam resguardadas dos olhos do grande público.

Edição de 18.03.2015 | Sociedade
O concelho de Vila Franca de Xira é “riquíssimo” em obras de arte mas uma grande parte continua nas mãos de privados ao abandono e a degradar-se. Além disso alguns proprietários, com medo dos roubos, preferem manter as peças resguardadas o que ainda torna mais difícil identificá-las e ajudar na sua conservação.É preciso dinheiro e uma política integrada ao nível do Estado que permita salvar algum deste património, defendem Vítor Serrão e José Meco, professores que integram o comissariado científico da exposição “Grandes Obras: A arte no concelho de Vila Franca de Xira”. “Não imaginava que Vila Franca de Xira fosse extremamente rica no seu património. Tem tanto e tão bom que até se torna difícil escolher. Infelizmente há também muitas obras em mau estado de conservação”, lamenta José Meco a O MIRANTE. Como se as décadas de tumultos, conquistas e ocupações que o território sofreu não fossem suficientes, as obras de arte que resistiram à passagem do tempo nas mãos de privados estão cada vez mais atiradas ao esquecimento, empacotadas em garagens de quintas e palácios ou armazenadas em caves e sótãos. “Houve muito património roubado e desviado desde as invasões napoleónicas. O património que chegou aos nossos dias vem muito lapidado e está a ser ignorado. Esta questão revela bem a lacuna do Estado democrático, que não tem instrumentos para intervir, por falta de dinheiro, meios e falta de uma política integrada em que o objectivo patrimonial deve ser visto como prioridade fundamental e não é”, defende Vítor Serrão.A constatação dos especialistas surge depois de um trabalho intensivo para seleccionar algumas das obras mais valiosas do concelho, que estão em exposição no museu municipal pela primeira vez. O seu valor monetário é tão elevado que nem pode ser revelado por razões de segurança. São mais de 60 obras divididas pela azulejaria, pintura, escultura e artes decorativas. Muitas são propriedade privada e das paróquias do concelho. A maioria das obras expostas foi restaurada propositadamente para esta mostra e houve alguns achados surpreendentes. É o caso de uma tela do século XVIII, que esteve à beira de ir para o lixo na paróquia de São Pedro, em Alverca, mas acabou salva por um paroquiano que se lembrou de a enrolar e guardar numa gaveta durante décadas. “Quando a abrimos a tinta estava toda a cair, pareciam migalhas de pão”, recorda Sílvia Cópio, uma das restauradoras do município que, juntamente com João Salgado, ajudou a devolver a vida a estas peças antigas. “Esta exposição procura reunir, estudar e apresentar ao grande público as nossas peças de arte, as mais representativas do concelho. Queremos dar a conhecer a riqueza patrimonial e artística do concelho e chamar a atenção das pessoas para a importância do restauro das peças e de ter o património em condições de ser usufruído”, explica Fernando Paulo Ferreira, vereador com o pelouro da cultura. Conferências sobre arte e restauroA complementar a exposição está um vasto programa de conferências dedicadas a temas tão diversos como a museologia, património imóvel, escultura, pintura, salvaguarda de bens patrimoniais, história local e divulgação do património. Haverá também conferências sobre técnicas de restauro, estando prevista uma sessão de restauro ao vivo. A próxima sessão tem lugar a 9 de Maio e tem entrada livre.
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