
A corrida é o vício de António Batalha
Escalabitano é campeão nacional de maratona no escalão para maiores de 60. A prova de 42 quilómetros onde conquistou o título disputou-se no Funchal. Foram mais de três horas a competir rumo ao pódio. A corrida faz parte da sua vida e diz que vai continuar enquanto tiver forças.
Com 61 anos, o escalabitano António Batalha sagrou-se, no passado mês de Fevereiro, campeão nacional da maratona no seu escalão (Veteranos M60), a prova mais extensa do atletismo (42 quilómetros). O feito foi alcançado no Funchal, entre 20 atletas da categoria que vai dos 60 aos 64 anos. Uma maratona atípica, que, devido ao constante sobe e desce, levou o atleta a fazer mais 15 minutos que o recorde pessoal. Ainda assim, foi o suficiente para a vitória, para o título nacional e para um grande orgulho em si próprio.“Ganhar uma maratona não é uma coisa que aconteça a qualquer um. Conquistei o título nacional, que não tem nada de transcendente mas que me encheu de orgulho e também aos meus amigos e família. Foi uma sensação indescritível. É que não foi apenas ganhar a prova, foi ficar com o título de campeão nacional. Não tem comparação nenhuma com um pódio normal em que se ganha uma provazita. Ali foi a nível nacional”, conta, orgulhoso, a O MIRANTE, admitindo, meio a brincar, meio a sério, que fez “um tempo desgraçado” no Funchal, referindo-se às 3h29m09s que demorou a percorrer os 42 quilómetros, longe das 3h12m51s do seu recorde pessoal, estabelecido em Novembro de 2014 na maratona do Porto.António Batalha começou a correr em 1984, motivado pela medalha de ouro de Carlos Lopes na maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, e nunca mais parou. A dedicação mais a sério ao atletismo surgiu já depois da reforma, há seis anos, tendo ingressado no grupo Scalabis Night Runners. Daí para cá já correu seis maratonas: duas no Porto, duas em Sevilha, uma em Lisboa e outra no Funchal, sempre com os tempos em evolução. Mas nem tudo foram rosas no percurso de atleta de António Batalha. Recorda a lesão que quase o afastou definitivamente do atletismo e conta que sofre autênticos calafrios quando tem de treinar na estrada, devido à indiferença que certos condutores têm pelos atletas.“Tenho medo quando ando a fazer os treinos longos na estrada, tenho tido calafrios mesmo. Por vezes os condutores não querem saber de quem lá vai, parece que até fazem de propósito. É estranho que ao verem uma pessoa a correr na estrada, não sejam capazes de se desviar. É uma coisa esquisita, que me faz confusão. Por que não facilitam a vida? O meu receio maior ainda é esse”, conta. Lesões graves só teve uma, uma pubalgia. Foi há uns quatro anos e obrigou-o a estar seis meses totalmente parado. Algo a que não estava habituado há muito. “Estive quase a dar em doido. A generalidade das opiniões é que nunca mais podia recuperar. Disseram-me que aquilo nunca mais se curava, que estava condenado para o resto da vida. O que é certo é que fui vendo evolução e ao fim de seis meses estava outra vez no ponto” recorda, acrescentando que não tem qualquer problema de saúde e que não tem medo da “possibilidade remota” de lhe acontecer algum problema de nível cardíaco em plena corrida.António Batalha tem duas filhas, que o apoiam incondicionalmente mas que, mesmo com o exemplo do pai, não se sentem motivadas para correr. O atleta treina por isso sozinho, à excepção de um dia por semana, quando se junta aos restantes elementos dos Scalabis Night Runners. Para aguentar treinos e provas, muitas das quais com mais de três horas, diz que toma magnésio e cartilagem de tubarão, sem esquecer as massas e as bananas às refeições. Substâncias proibidas é que nem pensar, porque está no atletismo de forma amadora e não a pensar em resultados.António Batalha olha para as corridas como um “vício saudável”, uma maneira de estar na vida. Por isso, aos 61 anos, diz que vai continuar até “ter força e não conseguir correr mais”, não estabelecendo qualquer meta em termos de idade. “ Enquanto gostar de correr, e penso que vou gostar sempre, correrei”.

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