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Grupo de Alhandra integra memórias da comunidade em peças teatrais

Grupo de Alhandra integra memórias da comunidade em peças teatrais

“Cais 14” existe desde 2012. Peças reflectem vivências e memórias das gentes da terra. Dulce Domingos é uma das responsáveis pela produção do grupo, que tem dado nas vistas e que foi criado há três anos para assinalar os 150 anos da Euterpe Alhandrense.

Edição de 22.04.2015 | Cultura e Lazer
Em Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, há um grupo de teatro diferente que recolhe as vivências e histórias da comunidade mais antiga da vila para as transformar e integrar nas diferentes peças de teatro que vão produzindo. Chama-se Cais 14 e nasceu em 2012 como forma de celebrar os 150 anos da Sociedade Euterpe Alhandrense. Não tem parado de crescer e o seu nome já é reconhecido no panorama nacional, sendo frequentemente convidados para actuar por todo o país. O Cais 14 é composto por três dezenas de pessoas que só actuam em locais improváveis, seja em mercados semanais de vilas e aldeias - como Alhandra ou Alcântara - a um shopping no Porto, à Malaposta, Reguengos de Monsaraz ou Lagos.Dulce Domingos, 59 anos, é professora em Alhandra e uma das responsáveis pela produção do grupo. É um rosto conhecido na terra por ter um papel activo na comunidade. Além dos alunos e do teatro está também envolvida na associação de artesãos de Alhandra. Diz, em tom descontraído, que no Cais 14 não há actores, há pessoas - crianças, reformados, advogados, biólogos e costureiras, por exemplo - dos 3 aos 80 anos. “As nossas peças não são de autor, são baseadas na identidade e na memória da nossa comunidade. Eu própria fiz todo um trabalho de recolha de memórias com pessoas antigas de Alhandra, gente com história e passado, algumas infelizmente entretanto falecidas”, explica a O MIRANTE. Durante dois meses Dulce recolheu testemunhos dos anciãos da terra sobre como era a vida social em Alhandra noutros tempos. Quando o grupo começou, Dulce estava longe de imaginar que era um projecto com pernas para andar. Inicialmente tratou-se de um grupo de pessoas que criou uma peça chamada “Cais 14”, onde dava a conhecer todas essas vivências da comunidade. A peça foi interpretada na zona ribeirinha da vila, ao ar livre, mas quando acabou toda a gente sentiu uma forte ligação ao teatro e mostraram vontade em continuar. “O processo foi tão intenso, gratificante e bonito, Alhandra vive estas coisas e gosta disto. Era desperdício deitar fora uma entidade destas. Na altura a Euterpe nem hesitou em receber-nos”, explica. O grupo está aberto a novos membros, basta aparecer num dos dias de ensaio, às quartas-feiras, na Euterpe, pelas 20h30. O sonho de Dulce é realizar uma peça no meio do rio, no varino Liberdade, ou no meio do mouchão de Alhandra. É preciso dinamizar a zona ribeirinhaDulce Domingos diz que é preciso tornar a zona ribeirinha ainda mais apelativa, com projectos capazes de puxar gente para a beira do rio. “Se quiser fazer aqui um projecto na zona ribeirinha não deixam porque desvirtua a zona. Mas depois vemos Lisboa cheia de esplanadas e espaços novos à beira do rio que potencia e faz crescer outras coisas, era uma ideia para aqui”, defende. Dulce defende também que é preciso incentivar a comunidade jovem a participar mais na comunidade. “Alhandra está muito envelhecida, era preciso tornais mais activa a comunidade jovem”, conclui.
Grupo de Alhandra integra memórias da comunidade em peças teatrais

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