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Em medicina não há clientes e o mais importante é a relação humana

Em medicina não há clientes e o mais importante é a relação humana

João Paulo Cunha é médico oftalmologista com consultório em Benavente

Foi o terceiro e último filho de um médico. Os irmãos não tinham seguido a prática e isso acabou por pesar na sua decisão quando chegou a hora de escolher uma profissão.

Edição de 13.05.2015 | Identidade Profissional
Em medicina não há clientes e o mais importante é a relação humana que se estabelece durante uma consulta. A opinião é de João Paulo Cunha, 49 anos, médico oftalmologista em Lisboa e responsável pela associação médica Olhar Bem, de Benavente.“Quando se gosta do que se faz é mais fácil trabalhar. É isso que nos motiva, atira para a frente e nos faz abraçar novos projectos e objectivos para construir algo melhor. A relação humana é fundamental. O que deve existir é uma relação humana e não uma relação médico-cliente”, defende. Para João Paulo Cunha o valor fundamental do seu trabalho deve ser a qualidade e a honestidade. “É importante uma criança chegar aqui e sentir-se à vontade, bem como uma pessoa idosa, que precisa de carinho e compreensão, uma palavra amiga, além da palavra clínica. Devemos tratar sem paternalismo mas com cuidado humano, personalizado e adequado a cada pessoa e às suas capacidades económicas”, explica. É um médico que gosta de levar à letra o juramento de Hipócrates. “Quando as pessoas precisam de ajuda e me dizem que não têm dinheiro não há problema. Não será nunca por falta de dinheiro que uma pessoa que precise de ajuda, e eu possa ajudar, fica sem tratamento”, conta.João Paulo Cunha nasceu em Lisboa e a mãe é de Benavente. Tem hoje em dia uma clínica naquele concelho ribatejano. Foi o terceiro e último filho de um médico. Os irmãos não tinham seguido a prática e isso acabou por pesar na sua decisão quando chegou a hora de escolher uma profissão. Tinha boas notas e pensava seguir Artes ou Matemática. Antes de se especializar ainda foi revisor no jornal de notícias médicas. Hoje em dia é assistente graduado sénior em oftalmologia no antigo hospital dos Capuchos, hoje integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Central. É médico oftalmologista e cirurgião, estando também a desenvolver projectos de investigação em várias áreas da visão. “Estamos a apostar na parte da retina, com as novas aparelhagens e meios de diagnóstico complementares, como a topografia de coerência óptica, estamos a estudar as camadas da retina. Na prática estamos a tentar identificar factores de risco para doenças sistémicas em que outros exames seriam caros e demorados e estes são acessíveis e fáceis”, explica.Gostava de ter sido actor de teatro ou cinema. Ainda hoje vai com regularidade ao teatro. Um dia fez os exames psicotécnicos e o psicólogo disse-lhe que não ia ter feitio para actor. “Não sei se foi a minha mãe que lhe pagou para me dizer isso porque ela não queria que eu fosse para as artes”, diz com um sorriso.Gosta de se rodear de uma equipa em quem confia, actualmente com os médicos Joana Ferreira e Arnaldo Santos. “Gosto imenso de trabalhar com eles, sou da opinião que se deve transportar para as várias áreas da nossa vida as pessoas com quem gostamos de estar, tanto socialmente como profissionalmente”, defende.Diz que Benavente é uma terra com todos os elementos da vida. “Adoro o Ribatejo e tenho grandes memórias de infância em Benavente. Tem tudo, o verde, a água, a terra. Gosto muito de trabalhar lá e ajudar dentro das possibilidades as pessoas que possam precisar. Apesar de ter pouco tempo livre tenho lá ido com toda a satisfação. Só consigo ir aos sábados à tarde e espero que a partir de agora a equipa consiga ir aos sábados de manhã também para irmos de encontro às necessidades da população”, refere.Na opinião de João Paulo Cunha hoje em dia a população já cuida melhor dos seus olhos mas deixa recomendações para uma era de telefones com ecrãs, tablets e televisões. “A qualidade das imagens pode causar interferências, temos de ter cuidado com o contraste, o brilho e a cor. Isso até pode ter influência nas horas que vamos conseguir dormir. Se estamos a apontar uma luz branca ou azul aos nossos olhos de noite, sobretudo azul, estamos a acordar-nos a nós próprios, a libertar melatonina e a adiar o sono”, alerta.João Paulo Cunha vê-se a trabalhar ao longo da vida mas diz que os 55 anos será a sua idade limite para realizar cirurgias. “Depois disso quero passar para a parte docente e de investigação”, explica.
Em medicina não há clientes e o mais importante é a relação humana

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