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Espantoso Manuel Serra d’Aire

Edição de 09.06.2015 | E-mails do outro mundo
A malta do teatro está em grande. Depois do caso do técnico superior da Câmara de Abrantes que faz uma perninha extra por palcos deste país enquanto está de baixa médica, foi a vez de um funcionário da Câmara da Chamusca com queda para a representação ter encenado uma peça em plenos paços do concelho, onde contracenou com o presidente da câmara. Diz quem assistiu ao espectáculo que os diálogos não são aconselháveis a menores de 18 anos mas que o desfecho é sublime, ao nível da clássica tragédia grega, com um dos intervenientes a desfalecer em pleno palco e a sair de padiola.Este caso vem revelar que muito mudou na nossa administração autárquica e só pode ser resultado da polivalência e da flexibilidade laboral que os sindicatos tanto abominaram. Onde antes havia gabinetes sombrios e guichês com mangas de alpaca por detrás com ar inquisidor e modos de carroceiro, há hoje muita animação e funcionários multifuncionais que tanto podem estar a passar atestados e certidões como a representar obras primas da dramaturgia. Aliás, a Chamusca tem sido falada nos últimos tempos devido a acontecimentos que são uma autêntica pedrada no charco e lufadas de ar fresco contra o rame-rame do nosso quotidiano. A concelhia do PSD local esteve uns três anos sem que ninguém lhe pegasse (e pelos vistos sem que alguém tivesse sentido a falta) até que se lembraram de fazer eleições. E então, de repente, apareceram duas listas num concelho onde o partido deve ter meia dúzia de militantes. É o que se pode designar como o milagre da multiplicação das “laranjas”.Tal como tu, sigo com curiosidade e perplexidade as festas com actividades taurinas e, sobretudo, o deleite com que as organizações de algumas fazem questão de difundir o número de pessoas colhidas como se de troféus se tratassem. Não há melhor certificado de qualidade para uma boa entrada ou largada de toiros do que haver alguns feridos e mortos pelo meio. Para alguns, um fim de festa ideal no Ribatejo devia ser uma espécie de réplica da batalha de La Lys. E assim sendo já era tempo de se erigir um memorial aos bravos caídos em combate.O Museu Nacional Ferroviário do Entroncamento é realmente um caso de estudo pela postura reservada, diria mesmo tímida, com que funciona, pouco consentânea com o cagaçal que as máquinas que lá tem em exposição fizeram noutros tempos. Aliás, não posso garantir que o tal museu exista pois nunca lá fui e perante o empenho dos responsáveis do mesmo em evitar que se soubesse da sua reinauguração o melhor mesmo é não pensar em ir, não vá, trapalhão como sou, riscar os cromados de alguma antiga locomotiva e arranjar chatices. Porque aquilo é um local recatado, que não se presta a confusões e grandes alaridos.Em Coruche, a câmara quis dar umas leiras de terra aos munícipes interessados em as amanhar, mas a moda das chamadas hortas urbanas não parece estar a pegar nas margens do Sorraia. Ao que consta, ninguém se mostrou disponível para vergar a mola e ir plantar couves ou batatas, o que me leva a suspeitar que por aquelas bandas a malta é cá das minhas: eu, quando vejo uma enxada sou o primeiro a cavar...Saudações teatrais do Serafim das Neves

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