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Uma doença insidiosa e por vezes silenciosa

Uma doença insidiosa e por vezes silenciosa

Edição de 09.06.2015 | Suplemento Saúde
As miocardiopatias são um grupo de doenças cuja principal característica é o atingimento directo do músculo cardíaco. Esta lesão do miocárdio associa-se a disfunção mecânica e muitas vezes eléctrica com consequente dilatação e/ou hipertrofia cardíaca. Todo este processo culmina numa insuficiência cardíaca progressiva mais letal que muitos tumores malignos.As miocardiopatias podem ser primárias (afectando apenas o coração) ou secundárias (consequência de doença sistémica, abuso de drogas, álcool, etc)As miocardiopatias primárias podem ser genéticas (sendo a miocardiopatia hipertrófica o exemplo mais prevalente), não genéticas ou adquiridas (ex: miocardite no contexto de síndrome gripal), No caso de se tratar de uma causa genética, a expressão fenotípica pode não se manifestar imediatamente mas apenas numa fase imprevisível da vida. Esta situação aconselha ao rastreio periódico do doença porque se não for detectada e tratada o seu prognóstico é muito mais sombrio.Com base nas alterações físicas que ocorrem no coração podemos classificar estas situações ainda em três grandes grupos:Miocardiopatia dilatada, Miocardiopatia hipertrófica e Miocardiopatia restritivaCerca de 50% dos casos de miocardiopatia dilatada não têm uma causa definida. Em Portugal o álcool é uma causa muito frequente tendo a particularidade de melhoria ou regressão parcial com a abstinência.Apesar de ser raro, uma simples gripe em qualquer idade, pode originar uma situação dramática, originando dilatação cardíaca e insuficiente contracção do músculo cardíaco.A hipertensão arterial tratada e controlada não afecta o coração, mas se não controlada leva á hipertrofia do músculo cardíaco e posteriormente à dilatação cardíaca.A doença coronária intimamente relacionada com a aterosclerose e em que o enfarte do miocárdio é sua expressão mais grave ,também conduz à dilatação cardíaca, sobretudo quando não tratada. É ainda possível ter lesão miocárdica pela acção tóxica de quimioterapia usada no tratamento do cancro.Doenças da tiróide não tratadas, algumas doenças genéticas e outras situações raras em que o músculo cardíaco é infiltrado por determinadas substâncias (ex: amiloide) podem originar miocardiopatias que podem passar despercebidas muitos anos, dado que o agravamento clínico é progressivo mas lento.Os sintomas e sinais podem incluir fadiga ligeira ou muito significativa, falta de ar em esforço, palpitações, dificuldade em respirar no leito, dor no peito e edemas dos membros inferiores.O diagnóstico deve incluir a história familiar de doenças cardíacas e de situações em que a morte tenha sido súbita e inexplicável.Alguns exames, sempre baseados na história clínica, são necessários para melhor esclarecimento. Um simples electrocardiograma (ECG) pode ser importante mas não é suficiente na maioria das situações. Técnicas de imagem (ecocardiograma completo, ressonância magnética, tomografias, cateterismo cardíaco, exames com radioisótopos, etc) permitem a confirmação do diagnóstico e orientação para o tratamentoA prevenção de uma miocardiopatia passa por prevenir todas as situações que causam este problema e que têm causa conhecida. Podemos proteger o nosso coração através da adopção de um estilo de vida saudável, a nível dietético, e ainda valorizando o exercício físico e o tratamento dos factores de risco, como a hipertensão arterial e a aterosclerose.Nas situações hereditárias ou inexplicáveis devemos agir na altura certa, porque o tratamento atempado melhora o prognóstico e a qualidade de vida.O tratamento depende da causa e da clínica. Medicamentos adequados prolongam a sobrevida e permitem a regressão de situações graves invertendo o prognóstico.Um pacemaker ou um cardioversor desfibrilhador (CDI) poderá ser a única maneira de evitar a morte súbita nas miocardiopatias. Estes aparelhos são pequenos computadores com sensores que nos monitorizam informando o médico da real situação clínica e corrigem disfunções eléctricas e mecânicas no coração. O tratamento por cateterismo cardíaco e a cirurgia cardíaca tem indicações precisas e os resultados tem sido extraordinários nos últimos anos.Deste modo, se apresentar alguns dos sintomas ou sinais referidos, se tiver familiares com morte súbita ou doenças hereditárias, se estiver a tomar fármacos potencialmente lesivos do músculo cardíaco, contacte o seu cardiologista. Lembre-se que a prevenção pode, nalguns casos, evitar a doença e o tratamento adequado muda completamente o prognóstico.* Médico Cardiologista e ArritmologistaDirector Clínico da Clinica do Coração, Santarém
Uma doença insidiosa e por vezes silenciosa

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