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Inabalável Manuel Serra d’Aire

Edição de 24.06.2015 | E-mails do outro mundo
A notícia de que o edifício onde funcionam os serviços de saúde pública de Tomar não têm um acesso destinado às pessoas com dificuldades de locomoção causou brado e ondas de indignação nas redes sociais. Realmente é triste ver que uma pessoa em cadeira de rodas que necessite de ir a uma junta médica tenha de ser avaliada em plena rua (porque não consegue chegar ao gabinete dos médicos) e, como se tal não bastasse, ainda tenha de pagar 50 euros. Só ficou mesmo por saber se ainda tem de se dizer obrigado. A única vantagem de tal aberração, como tu sublinhas no teu último escrito, é que o paciente objecto da notícia pelo menos pôde aliviar a bexiga ao ar livre sem que alguém o chateasse. E se há coisa que sabe bem, pela sensação de liberdade que transmite, é uma mijinha contra um muro ou uma árvore, como tu bem saberás.Obviamente que toda esta situação de Tomar decorre da idiotice e insensibilidade de alguém mas, como se ouve por aí dizer aos tecnocratas da moda, de um problema nasce sempre uma oportunidade. E, neste caso, acho que tenho uma solução para a coisa que ainda permitiria poupar algum dinheiro ao Estado, prescindindo dos médicos que bem necessários são noutros sítios. Afinal é tão simples quanto isto: os pacientes que não conseguirem ultrapassar os degraus para chegarem ao local onde funciona a junta médica são automaticamente dados como incapacitados para o trabalho, sem ser necessário que alguém seja remunerado para atestar uma coisa que é óbvia. Os que conseguirem chegar lá dentro, superando com êxito os obstáculos pelo caminho, são considerados sãos como um pêro, arrotam os 50 euros e levam um recibo com a frase “Vai trabalhar malandro!” lá chapada.Outra notícia que me deixou apalermado (ainda mais!) foi a de que um árabe quer investir no futebol do Centro Desportivo de Fátima. Não sei se ria se chore, mas isto cheira-me a manobras do defeso futebolístico para ver se o Santuário ou o Vaticano abrem os cordões à bolsa e cobrem a parada, impedindo assim que um discípulo de Alá passe a ser o patrão da equipa de futebol da terra dos milagres. Uma coisa te digo: se essa notícia se confirmar é bem provável que Nossa Senhora não se fique. E já que estamos a falar de Fátima e de revelações, ouvi dizer que ali para as bandas de Torres Novas está a ser congeminado um congresso anti-Fátima para 2017, ano do centenário das aparições. Estas invejas mesquinhas e estes revanchismos doentios perturbam-me. Isto deve ser obra de Satanás ou de quem ainda não se conformou com a desaparição da Santa da Ladeira e do culto que, em tempos, levava milhares de fiéis ao templo construído na Meia Via e disputava com Fátima o competitivo campeonato da salvação das almas.Por último uma menção honrosa para a presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, que revelou recentemente, numa posição contra a criação do Grupo Hospitalar do Ribatejo, que rejeitava a ligação de Tomar a Santarém em termos de cuidados hospitalares pois a sua cidade sempre esteve mais ligada a Coimbra, que até fica mais perto. Que a autarca não goste da capital de distrito é normal, atendendo aos bairrismos pacóvios que continuam a proliferar, mas que a presidente não tenha a mínima noção de geografia, e que a apregoe, já é mais preocupante. Obrigá-la a medir a distância entre Tomar e essas duas cidades com um fósforo ainda era pouco...Um bacalhau na brasa do Serafim das Neves

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