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Uma noite de fados com acompanhamento picante

Uma noite de fados com acompanhamento picante

Colectividade de Martinchel, no concelho de Abrantes, organizou no sábado um serão onde reinou a boa disposição e não faltou a brejeirice.

Edição de 20.01.2016 | Cultura e Lazer
Ana Moreira, 52 anos, deslocou-se de propósito na noite de sábado de Torres Novas, onde reside, até Martinchel, no concelho de Abrantes, para assistir ao espectáculo humorístico “A Taberna do Ti Ernesto”, que recria o ambiente de uma taberna antiga ribatejana onde tudo pode acontecer. A intenção desta auxiliar de acção educativa era aprender algumas anedotas para depois contar aos alunos na escola, mas os planos saíram-lhe furados, porque o repertório debitado nesse serão era demasiado ousado para ser contado a crianças. “Os miúdos estão sempre a pedir para contar anedotas mas estas são muito picantes, ainda não consegui aproveitar nenhuma para os miúdos” conta a O MIRANTE divertida com o espectáculo a que assistia.A sede da Associação dos Amigos de Martinchel (ACLAMA) encheu para assistir ao espectáculo de fado, humor e teatro, numa espécie de revista à portuguesa com humor brejeiro e bastante picante, mas em que as letras dos fados mantêm-se fiéis aos originais e não há humor durante as cantorias. A maioria do público presente já ultrapassou a barreira dos quarenta, mas alguns jovens também quiseram assistir à comédia.Em cima do palco, com o cenário de uma antiga taberna, estão nove actores e fadistas amadores que representam os vários papéis. Existem os clientes da taberna, o indispensável taberneiro, um guitarrista, o homem da viola, um agente da GNR e os dois compadres que são as personagens principais. Durante mais de duas horas de espectáculo, um dos compadres, o “corno” lá do sítio, vai conversando com o seu companheiro. Os dois, sentados numa mesa da taberna, vão relatando vários episódios das suas vidas como o facto de um dos compadres já ir na quarta mulher. “Ó compadre você sabe que eu já mudei de mulher outra vez? Já vou na quarta mulher, a primeira meteu-me um arranjo de flores na cabeça, a segunda pôs-me os cornos, a terceira deixou-me a cabeça que parecia um caracol, foi logo quatro cornos, dois pequenos e dois grandes, mas esta é como deve ser, as outras eram umas putas, agora é que acertei”. Enquanto vai dando a novidade ao compadre, a nova mulher já vai fazendo olhinhos a todos homens que estão na taberna. O público vai soltando gargalhadas enquanto vai petiscando uns tremoços, queijos e pão e enchendo o copo com vinho tinto, tentando aquecer a noite fria. No final da noite foi servido caldo verde, broa e chouriço assado.O jovem Paulo Teixeira, 25 anos, também veio de Torres Novas. Diz que não gosta de discotecas e preferiu ir, numa noite de sábado, assistir a esse espectáculo. “É diferente de uma noite de fados normal por causa do humor picante, já vi várias vezes e vejo quantas mais vezes forem precisas”, explica.Até a presidente da Junta de Freguesia de Martinchel, Maria Teresinha Barreiro, marcou presença e conta a O MIRANTE que já não é a primeira vez que vê este espectáculo. O facto de o humor ser bastante picante não a incomoda. “É um momento de diversão e a população gosta e eu também”, refere.Joaquim Júlio é o responsável pelo guião do espectáculo e porta voz do grupo. Canalizador de profissão em Azambuja e humorista nas horas vagas, já percorreu diversos cantos da região com este espectáculo. “Quase todos os fins-de-semana temos marcações para diversos pontos da região”, explica a O MIRANTE. Conta que o grupo já foi convidado para actuar nos Açores mas que foi completamente impossível por causa da logística. “O cenário tinha que ser transportado de barco, o que levaria vários dias e tornava-se bastante dispendioso. O nosso cachê não chegava para as despesas”, explica.
Uma noite de fados com acompanhamento picante

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