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O belo rio Tejo está transformado num esgoto

Edição de 27.01.2016 | O Mirante dos Leitores
Aos olhos de quem quer ver sou mais um que não resiste a ficar calado. O facto de não ter cultura académica não me impede de fazer, com tristeza, uma simples descrição dos maus tratos e do abandono a que o rio Tejo foi votado. Notando-se já as areias e pedras escuras, começo por falar das praias fluviais inactivas, banhadas por águas negras, espumosas, fedorentas, que matam. Projectos das câmaras municipais, em papel higiénico à espera das enxurradas, caros e sem futuro. O Tejo foi rico em bogas, barbos, carpas, enguias, bordalos e outros. Destas espécies algumas desapareceram e as que ainda restam estão em vias disso. Sável, saboga e lampreia ficam reféns junto ao paredão de Abrantes, sem refúgios, indefesos, num sequeiro, à mercê dos pescadores furtivos que não cumprem com as regras da pesca. Ali se procede à matança total. Vedações e sistema de canal avariados, por malvadez. O peixe não arriba e assim puseram às moscas grande parte do rio com rochas, quedas de água, pegos e pedras roliças, locais ideais para desova. Temos, agora, mais uma obra recente que tem dado eco. Trata-se de um tapume que veio da Serra de Montejunto, para construir um lago e que pode servir também de pista de aterragem, de tão largo que é. Com esta aquisição veio a polémica inesperada dos fracos cidadãos que, como de costume, nunca têm razão. Anos antes, aconteceu que um explorador de inertes destruiu azenhas, levadas e rochas, cavou e descavou e ninguém o viu. Estou em crer que estes e outros abusos são para esquecer, visto que a nossa democracia é para uns um malvado regabofe, enquanto que para outros uma desgraça. Não existem critérios sérios: Se a água é pouca façam-se pegos, e com pedras do próprio rio, presas com declives suaves para que os peixes e os barcos possam chegar ao seu destino.Também as barragens sorvem, de um trago, a água que vem de Espanha e não deixam escorrer um fio de água, como antigamente acontecia. A energia é tudo? Os peixes, as carnes e as farinhas que vão para a mesa não contam? Afinal, quem são os lesados? Serão as indústrias farmacêuticas?A continuar com um Tejo assim a correr, vamos todos deixar de pescar. Ele é o espelho das nossas instituições directamente responsáveis, que mais parecem um quartel de soldados indisciplinados onde as sentinelas, no seu posto de vigilância, dormem ou o abandonaram e vão jogar às cartas. Levantem-se as pessoas boas, livres, corajosas e com poder para enfrentar os problemas, pois só assim o Povo acredita e se respeita.Júlio Lopes RaimundoPescador de Ortiga (Mação), proprietário do barco picareto “Raimundo”, Nº C-05-074/2006

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