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Turismo para todos

O ecoturismo deve conseguir a participação da população local na tomada de decisões turísticas, envolvendo-as nos projetos, junto com os governos locais, os gestores dos espaços naturais e os operadores turísticos.

Edição de 27.01.2016 | Opinião
O turismo assume grande influência e expressividade uma vez que cruzando-o com outros setores - sobretudo o sociocultural e económico -, constitui um vetor privilegiado e inequívoco de desenvolvimento, de aproveitamento dos recursos e integrador de atividades, serviços, entidades e instituições. Com importância crescente, é considerado por muitos como a maior indústria mundial: pela sua adaptabilidade ao meio e seus valores naturais, patrimoniais e culturais; pela criação e formação de postos de trabalho, com integração de mão de obra local; pela projeção e divulgação da oferta de produtos regionais, com a afirmação da sua identidade e individualidade para o exterior, etc. Nesta como noutras matérias o que verdadeiramente me interessa é “o meu vizinho”; na prática, o turismo tem que possibilitar a quem cá vive (ator fundamental no pacote turístico) que viva melhor. Pelo país que somos e pela região em que vivo dou particular atenção ao ecoturismo. Acredito que é aqui, nas diferentes vertentes do ecoturismo, que todos temos mais a ganhar. Desde logo, porque o objetivo do ecoturista é “viver o recurso natural e o espaço que está a visitar”, quer se trate de um local rico em fauna, paisagens luxuriantes ou uma flora especial, mas com um pressuposto importante: a conservação dos recursos naturais como suporte da economia e da população local.Consideram-se, assim, quatro aspetos fundamentais que, pela sua articulação, revelam o ecoturismo como sinónimo de sustentabilidade: a proteção dos recursos naturais; a valorização económica; a participação da população local; e o turismo como uma ferramenta de conservação. Os recursos que o ecoturista necessita para levar a cabo a sua atividade são mais frágeis que os dos outros segmentos; daí a especificidade do ecoturismo, que nunca poderá ser um turismo de massas, pois perderia esta designação, o que não contraria o facto de ser já praticado por milhões de turistas em todo o mundo e, por isso, ser um turismo de muita gente com elevada rentabilidade.Outro aspeto importante desta vertente turística é a relação entre a população local e todos os intervenientes externos (turistas, proprietários de empreendimentos, fornecedores, etc.). Os conhecimentos que a população tem do ecossistema local garantem-lhe à partida uma posição de destaque nesta atividade, podendo mesmo desempenhar um papel de guardiões/defensores do espaço onde vivem. O ecoturismo deve conseguir a participação da população local na tomada de decisões turísticas, envolvendo-as nos projetos, junto com os governos locais, os gestores dos espaços naturais e os operadores turísticos.É claro que o Ribatejo e o Alentejo têm enormes potencialidades nesta interessante atividade turística; será que todos o compreendem?Carlos A. Cupeto

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